DISTINTOS CONVIDADOS,
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,
A abertura hoje da Zona Económica Especial representa um passo em frente no longo caminho da re-industrialização do nosso país, que deve ser assinalado com satisfação.
É um marco histórico para o desenvolvimento da economia nacional e para o relançamento da produção interna de bens e serviços.
Não se trata de um acto isolado, pois outras iniciativas semelhantes estão em curso nos pólos industriais de Fútila, do Soyo, da Catumbela e da Matala, na zona mineiro-industrial de Cassinga, no perímetro agro-industrial de Pungo-Andongo, etc.
Temos razões para acreditar que é possível aplicar o programa do Governo para a substituição ou redução das importações, para o fomento da produção interna e para o aumento da riqueza nacional e do emprego.
Podemos desde já trabalhar em duas direcções para aproveitar o potencial das indústrias instaladas na ZEE e tornar viável do ponto de vista económico e financeiro as unidades fabris.
Uma delas é estabelecer um certo vínculo entre os contratos de empreitada feitos pelo Estado e várias empreiteiras, para a construção de mais de duzentas mil casas ou alojamentos em todo o país.
Essas empresas precisarão de mais de um milhão e meio de portas, mais de dois milhões de janelas, grandes quantidades de louça sanitária, mosaico cerâmico, cabos e fios eléctricos, material eléctrico diverso, ferragens, tintas e vernizes, etc.
Grande parte desses artigos pode ser encomendada às unidades fabris e respectivas empresas instaladas na ZEE, sob a mediação da SONIP,e da SIN e da Administração da ZEE e a intermediação financeira dos bancos comerciais nacionais, velando-se pela boa qualidade dos produtos e por preços competitivos face ao mercado internacional.
Outra direcção é a adopção de uma política fiscal que estimule o investimento e proteja a produção nacional ou a nossa indústria nascente, sem descurar os aspectos ligados à transferência de conhecimentos e tecnologia e à formação e qualificação dos recursos humanos nos domínios técnico e de gestão empresarial.
Esta perspectiva pode ser adaptada aos programas executivos de outros sectores, como a agricultura e as pescas, onde o Executivo aprovou 46 contratos para a construção de unidades agrícolas, pecuárias e de pescas economicamente viáveis, cujo investimento está avaliado num valor em Kwanzas equivalente a cerca de mil e 800 milhões de dólares, que irão gerar cerca de nove mil e quatrocentos postos de trabalho directos e mais de trinta mil indirectos.
Sabemos que vai ser necessária uma grande quantidade de tractores, alfaias agrícolas, ‘pivots’ de irrigação, camiões, carrinhas e outros equipamentos. Será que parte desse equipamento não pode ser montado ou mesmo produzido em Angola, no caso dos mais simples?
Eu acho que sim.
São ainda muitos e estimulantes os desafios que temos a vencer. Espero que todos possam contribuir para ultrapassarmos estes desafios.
Hoje superámos alguns e quero por isso agradecer e felicitar todos os que souberam estar à altura das suas responsabilidades e realizar com sucesso a missão e as tarefas de que foram incumbidos.
Muito obrigado pela vossa atenção.