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19/Julho/2010

Discurso no jantar oferecido a sua Excelência Anibal Cavaco Silva

 

DISCURSO PRONUNCIADO POR SUA EXCELÊNCIA JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, NO JANTAR OFERECIDO POR OCASIÃO DA VISITA DE ESTADO DE SUA EXCELÊNCIA ANIBAL CAVACO SILVA, PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA


Luanda, 19 de Julho de 2010


SUA EXCELÊNCIA

PRESIDENTE DA REPÚBLICA PORTUGUESA
DISTINTOS MEMBROS DA DELEGAÇÃO PRESIDENCIAL,
ILUSTRES CONVIDADOS,
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES

 

Saúdo a presença de Vossa Excelência e da sua importante delegação em Angola, e a todos expresso as minhas calorosas boas-vindas.


Espero poder corresponder à forma elevada e dignificante como nos recebeu no ano passado em Portugal, tornando esta sua visita num momento de especial relevância para a consolidação das já excelentes relações existentes entre os nossos dois Estados.

 

O seu extenso programa, e em particular, as suas visitas a algumas províncias do país, vão dar-lhe certamente a oportunidade de constatar com os seus próprios olhos os progressos que estes últimos oito anos de paz nos permitiram realizar.

 

Apesar de curto, neste período podemos dar passos significativos no sentido da normalização do funcionamento das instituições democráticas e da melhoria da vida das populações. Demos passos importantes também na reintegração dos ex-militares na vida social e produtiva e na reconstrução ou criação de raiz das necessárias infra-estruturas para o desenvolvimento do país.

 

Este reforço tem estado a ser suportado essencialmente com meios próprios, uma vez que acabaram por nunca se concretizar as promessas feitas pelos países mais desenvolvidos concernentes à reconstrução de Angola pós-guerra.

 

Felizmente que nesse difícil e complexo processo temos podido contar com a participação de alguns países amigos, entre os quais Portugal ocupa um lugar de destaque.

 

Não é, pois, casual que estejam neste momento instaladas em Angola mais de duas mil empresas portuguesas; o que o comércio entre os nossos dois países tenha triplicado nestes últimos anos e que Angola seja hoje o quarto principal destino das exportações portuguesas e o terceiro país com os maiores investimentos bolsitas em Portugal, logo após a Espanha e a Itália.

 

As oportunidades de negócio de duplo sentido também se têm acentuado e os empresários de ambos os países têm hoje um quadro que lhes permite expandir as suas reais de actividade para lá das habituais.

 

Estão neste caso, por exemplo, as actividades ligadas à agricultura e à agro-pecuária, essenciais para a diversificação da nossa economia e para um desenvolvimento mais equilibrado de todo o país.

 

Também podemos imprimir uma nova dinâmica aos outros domínios em que a nossa cooperação já se tem materializado, como a construção civil, a banca, e outras áreas de serviços, como a hotelaria e restauração e a consultadoria, e da r cada vez maior relevo as questões da educação, da saúde, justiça e da energia.

 

Alem destes aspectos económicos, justo é também salientar a convergência de posições das lideranças politicas de Angola e de Portugal sobre os principais assuntos da actualidade internacional e, acima de tudo, a grande disponibilidade de ambos os países para o aprofundamento da cooperação no domínio cultural, técnico e cientifico.

 

Essa disponibilidade, fruto de uma longa trajectória histórica em comum, poderá dar excelentes frutos e permitir, por exemplo, valorizar ainda mais no plano internacional a língua que nos e estabelecer parcerias privilegiadas e mesmo estratégicas com todos os países de língua oficial portuguesa.

 

Angola é um país de grandes potencialidades e de imensas riquezas por explorar e esta assim aberta a todos os que disponham de formação e capacidade para nos ajudar a superar as imensas carências e dificuldades que ainda afectam as nossas populações.

 

Precisamos de investimentos para relançar a actividade produtiva e implementar projectos que nos permitam afirmar a nossas vontade de competir em pé de igualdade ou com maiores vantagens, na nossa região, no continente e no mundo.

 

O nosso objectivo maior continua a ser o de garantir o bem-estar para o nosso povo, ao mesmo tempo que oferecemos a possibilidade de realização no plano pessoal e profissional a quem queira vir construir connosco um futuro melhor.

 

Os portugueses em Angola, assim como os angolanos em Portugal, tem grande facilidade de adaptação e estão em posição privilegiada para estabelecer um intercâmbio do qual podem advir resultados compensadores para ambas as partes.

 

Espero que enquanto durar a sua permanência em Angola Vossa Excelência se sinta em casa própria e tudo faremos para tornar a sua visita o mais agradável e produtivo possível.

 

Convido todos os presentes a erguer as suas taças em honra de Sua Excelência o Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, sua Excelentíssima Esposa e sua comitiva, à amizade entre os povos de Angola e de Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 




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