Luanda - Íntegra do discurso do Presidente José Eduardo dos Santos na abertura das conversações das delegações ministeriais Angola/Ghana
Senhor Presidente,
Caro irmão,
Ilustres membros da delegação angolana e do Ghana.
Queria, em primeiro lugar, agradecer o senhor Presidente da República pelo amável convite que nos enviou para visitar, nesta data, a República do Ghana.
É, para nós, um motivo de grande satisfação e também um privilégio poder estar entre amigos e velhos companheiros de luta, pois o Ghana tem uma tradição antiga de solidariedade para com os povos que lutam pela sua libertação.
Nos primeiros momentos da luta de libertação nacional, a palavra de ordem era que nenhum país já independente se considerava livre, enquanto todos os outros países não estivessem também livres.
E o Ghana foi um país pioneiro com o presidente Kwame Nkrumah nessa batalha para a libertação completa dos povos africanos. E os outros líderes do Ghana seguiram essa tradição e Angola beneficiou dessa ajuda e da solidariedade.
Está entre nós, aqui, um cidadão ganense que lutou nas fileiras da guerrilha conduzida pelo MPLA, para a libertação de Angola.
Deve ser conhecido de todos. Não quero ser indiscreto, para apresenta-lo aqui. Mas nós queríamos agradecer em meu nome pessoal, em nome do Governo e em nome do povo angolano toda ajuda que tem sido concedida ao povo de Angola no plano político e no plano material, para a sua libertação e para a consolidação da sua independência.
Estamos aqui, também, porque queremos discutir convosco os assuntos da nossa era, todos os assuntos de interesse comum quer de carácter político, económico, financeiro, social e cultural.
Como país africano que somos, com o Ghana temos um percurso comum.
Queremos uma África totalmente livre, em paz e estabilidade, criando condições de progresso e prosperidade.
Vamos discutir as nossas agendas e poderemos estabelecer assuntos para encontrar vias para implementar todas as nossas intenções e realizar, como disse bem o senhor Presidente, as ambições dos nossos respectivos países.
Devemos identificar aquilo que pode ser feito rapidamente no plano económico, comercial e cultural. Os nossos governos deverão criar os instrumentos jurídicos para regular as relações entre todos os agentes que actuam no domínio económico, cultural, financeiro.
Viemos imbuídos desse espírito aberto e franco para discutir todos os assuntos de interesse comum.
Esperemos que as nossas discussões sejam produtivas e produzam resultados práticos, para que esses resultados contribuam para o estreitamente ainda maior das relações de amizade e cooperação dos nossos dois países.
Senhor Presidente
Foi, para mim, um grande prazer conhece-lo pessoalmente.
Quero reiterar o nosso desejo de trabalhar consigo para o progresso e bem-estar dos nossos respectivos povos.
Por outro lado, o Ghana tem alcançado progressos imensos em vários domínios e queremos aproveitar da nossa experiência e sabedoria, incluindo no domínio do desporto.
O Ghana tem uma excelente selecção de futebol, tem boas escolas de futebol. Com muito orgulho para todos nós tem representado condignamente não apenas o Ghana, mas todo o continente africano.
Não é só no desporto que o Ghana é citado, mesmo pelos países ocidentais como um exemplo a seguir no domínio do processo democrático e no domínio da gestão económica e financeira, etc.
Senhor Presidente
Aceita as nossas felicitações por essas grandes conquistas do povo do Ghana e do seu Governo.
Finalmente, trago um abraço e uma grande saudação de todos os angolanos ao grande povo do Ghana e ao senhor Presidente.
Obrigado pela hospitalidade.