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Homenagem

Discurso do PR na homenagem aos heróis da Batalha do Cuito Cuanavale

DISCURSO PRONUNCIADO POR SUA EXCELÊNCIA JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, NA HOMENAGEM AOS VENCEDORES DA BATALHA DO CUITO CUANAVALE
 
Luanda, 31 de Março de 2010
 
EXMO. SENHOR VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA,
SENHORES MINISTROS DE ESTADO E MINISTROS,
HERÓICOS COMBATENTES DA BATALHA DO CUITO
CUANAVALE, DISTINTOS CONVIDADOS,
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,
 
A batalha do Cuito Cuanavale, cujo vigésimo segundo aniversário assinalamos no passado dia 23, é o símbolo maior da nossa resistência contra o exército do regime do “apartheid” e marco decisivo de um conjunto de vitórias que transformaram radicalmente a África Austral.
 
Quando as FAPLA aí derrotaram as forças sul-africanas enviadas por Pieter Botha e Magnus Malan, respectivamente Presidente e Ministro da Defesa da África do Sul, e defenderam valentemente as suas posições, pouca gente adivinhava o que iria acontecer depois - a Contra-Ofensiva.
 
Cuba e Angola prepararam nos meses de Abril e Maio a contra-ofensiva final e às FAPLA coube a heróica missão de defender as linhas estratégicas conseguidas.
 
Lançada a contra-ofensiva, esta alcançou os seus objectivos essenciais em Junho de 1988 e o exército sul-africano viu-se obrigado a aceitar incondicionalmente os termos da sua retirada total e definitiva de Angola.
 
A partir de então os discursos políticos mudaram de tom e de conteúdo.
 
A África e as forças progressistas começaram a vencer. Veio a independência da Namíbia, a democratização da sociedade sul-africana e a paz em Angola.
 
A África, e Angola em particular, não devem deixar de recordar sempre este acontecimento histórico que contribuiu imenso para mudar as nossas vidas para melhor.
 
Recordar e agradecer a todos os que nele participaram é o mínimo que temos de fazer por dever de homenagem.
 
Nesta cerimónia estão presentes muitos dos heróicos intervenientes nessa batalha, que é considerada a maior travada entre dois exércitos regulares em África desde o fim da II Guerra Mundial.
 
Peço uma salva de palmas para eles!
 
Venceram os carcamanos, apesar de estes terem utilizado material bélico sofisticado e inédito, como os tanques pesados Oliphant e os canhões G-6, tidos então como os melhores do mundo!
 
É para nós muito importante que em documento da época, que só agora começaram a ser conhecidos, sejam os próprios antigos responsáveis militares do regime do “apartheid” a admitir que foram derrotados no terreno de combate, desfazendo assim as dúvidas que por vezes se levantaram em certos círculos quando nós reclamávamos justamente a nossa vitória.
  
O que é certo é que depois da Batalha do Cuito Cuanavale nada ficou como antes na nossa região, pois foi definitivamente destruído o mito da pretensa superioridade e invencibilidade do regime do “apartheid”, que se viu obrigado a sentar-se à mesa das negociações, a libertar Nelson Mandela e a aceitar a inevitável ascensão ao poder dos representantes da maioria negra antes sujeita à dominação e opressão de uma minoria branca racista.
 
Assim, logo no mês de Maio de 1988 teve lugar a primeira reunião tripartida entre Angola, Cuba e a África do Sul, embora tenha sido só após as vitórias acima referidas da coligação do exército nacional com as forças cubanas que nos conduziram à fronteira da Namíbia, que os representantes do “apartheid” cederam em toda linha nos acordos de Nova Iorque, sob mediação dos Estados Unidos de América, de Dezembro desse mesmo ano.
 
A batalha do Cuito Cuanavale foi, portanto, o ponto de viragem que desequilibrou a balança de forças a nosso favor, aumentado o nosso esforço de resistência contra as ingerências e agressões externas e de defesa da soberania e da integridade territorial de
Angola e contribuindo também para eliminar os factores externos e para abrir caminho para o estabelecimento de uma paz definitiva no nosso país.
 
A batalha do Cuito Cuanavale teve ainda uma inequívoca repercussão em todo o continente e constitui uma referência incontornável na afirmação da identidade e dignidade dos povos africanos.
 
Ao celebrarmos mais um aniversário desta heróica data, estamos a fazer justiça a todos aqueles heróis, conhecidos e anónimos, angolanos, cubanos e outros, que não hesitaram em dar a própria vida em defesa da Pátria angolana e dos elevados valores da amizade e solidariedade entre os povos.
 
Este dia deve ser, portanto, um momento de reflexão para as novas e futuras gerações, pois ele dá fé da generosidade e espírito combativo da nossa juventude e também de um elevado amor à Pátria.
 
Angola é hoje para bem dos seus filhos uma nação em paz e reconciliada, que não pretende voltar a trilhar os caminhos do ódio e da violência.
 
Devemos, pois, consolidar a paz, a tolerância e o respeito recíproco e erguer em conjunto um Estado Democrático de Direito, a fim de alcançarmos o bem-estar, a prosperidade e o progresso.
 
Obrigado, a todos por terem cumprido, obrigado a todos por terem compreendido a necessidade de cumprir e fazer cumprir as ordens e directivas do Comandante em Chefe das FAPLA, para sobrevivência de Angola como nação livre e independente. 
 
HONRA E GLÓRIA AOS HERÓICOS COMBATENTES DO CUITO CUANAVALE!
VIVA ANGOLA!



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