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14/Dezembro/2010

Abertura de conversações na visita oficial à África do Sul

Discurso pronunciado por sua Excelência José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, na abertura de conversações durante a visita oficial à República da África do Sul.

 

Pretória, 14 de Dezembro de 2010

Sua Excelência Jacob Zuma,

Presidente da Republica da África do Sul,

Excelentíssimo Membros das duas delegações,

Minhas Senhoras e Meus senhores

 

 

Estou grato à Vossa Excelência pelo convite que nos foi feito e estou certo de que os nossos trabalhos vão decorrer no espírito de compreensão e harmonia que tem caracterizado os encontros que a vários níveis se têm realizado entre representantes de Angola e da África do Sul.

 

Recordo neste momento a sua última visita a Angola e as discussões frutuosas que tivemos e que serviram para elevar o nível das nossas relações de amizade e de cooperação.

 

As nossas relações são excelentes, seja no plano político e diplomático, seja no plano económico, social e cultural.

 

O saldo da conta corrente entre os dois países aumentou de 940 milhões de dólares em 2007 para 1.890 milhões em 2008, representando um incremento de mais de 100 porcento; o investimento sul-africano atingiu cerca de 200 milhões de dólares em 2009; cresceu o número de cidadãos sul-africanos em Angola e de angolanos na África do Sul.

 

A África do Sul também começa a ser destino para alguns investimentos de empresários angolanos.

 

Estes dados são encorajadores e revelam que as nossas relações se vão ampliando.

 

São grandes as oportunidades de negócios que existem, quer no mercado angolano, quer no mercado sul-africano, para os empresários dos dois países.

 

Penso que devemos aperfeiçoar os mecanismos institucionais e os instrumentos jurídicos de cooperação, para facilitar o enquadramento e a dinamização das acções de cooperação material.

 

Nesse processo jogam um papel preponderante a mobilização de recursos e competências, com base em parcerias equitativas que conjuguem sinergias e promovam o comércio e o investimento, a transferência de tecnologia e a partilha do conhecimento e da experiência em geral.

 

Parcerias dinâmicas e produtivas no campo empresarial, e não só, fortalecem as nossas economias e as relações bilaterais, e têm uma repercursão positiva em toda a África Austral, onde a SADC será cada vez mais forte, quanto mais forte forem as economias dos seus Estados membros.

 

Este pensamento é valido para outras instituições sub-regionais e para o nosso continente, como sublinhou também o Presidente Jacob Zuma.

 

Se a União Africana tiver muitos países com economias e Estados fortes no seu seio, ela terá maior capacidade para ajudar a resolver as situações de crise e os conflitos armados que surgirem em África e impedir a ingerência de governos de outros continentes.

 

Estes países, não poucas vezes, usam duas agendas - uma das quais com o propósito de proteger os seus interesses sem se preocupar com a instabilidade ou o agravamento da situação que a mesma pode criar.

 

Senhor Presidente,

 

Este pensamento é valido também para concertamos as nossas acções no âmbito da reforma das Nações Unidas, onde devemos continuar a reivindicar dois assentos de membros permanentes no seu Conselho de Segurança.

 

África deve também, no quadro da discussão em curso para o aperfeiçoamento dos instrumentos de regulação da economia global dos sistema financeiro internacional, reclamar maior participação com vista a melhor defender os seus interesses.

 

Senhor Presidente,

 

Estou certo de que poderemos neste e em futuros encontros encontrar as melhores vias para tornar cada vez mais estreitos e fecundos os laços históricos que unem os nossos dois povos e países.

 

Os grandes sectores, tais como a energia, os transportes ferroviários, viários, marítimos e aéreos, as comunicações e indústria pesada e de transformação, a investigação científica e o desenvolvimento humano devem merecer prioridade, pelo papel estruturante que têm no processo económico e social.

 

Num mundo que enfrenta grandes desafios e grandes ameaças à estabilidade e à segurança, gostaríamos de privilegiar a concertação bilateral e a troca de informações em domínios como o ambiente, onde são evidentes as mudanças climáticas, e no tratamento dos fenómenos referentes ao terrorismo, aos crimes transfronteiriços, à imigração ilegal, ao tráfico de drogas e de seres humanos, ao branqueamento de capitais e à lavagem de dinheiro, entre outros crimes de igual monta.

 

Estou certo de que todos juntos saberemos encontrar a melhor forma para cooperar em todas estas áreas com resultados positivos e com o mesmo espírito que no passado permitiu forjar os laços que nos levaram a vencer o colonialismo e o “apartheid” e a conquistar o nosso direito de gerir os nossos próprios destinos.

 

Tem a comissão bilateral que já não se reúne há algum tempo. Deveríamos fazer esforços para a redinamizar. Quero sublinhar a importância do quadro financeiro para elevar projectos quer do sector público quer parcerias de empresas privadas.

 

Penso que podemos encorajar a troca de experiência entre as associações cívicas, culturais e desportivas. O trabalho a nível das instituições culturais pode fortalecer ainda mais os laços entre os dois países.

 

Agradeço à Vossa Excelência, ao Governo da África do Sul e ao povo sul-africano pelo cordial acolhimento reservado a mim e à minha delegação.

 

Muito Obrigado!

 

 

 
 

 

 

 




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