Lubango - O Ministério da Energia e Águas perspectiva a construção do Aproveitamento Hidrográfico (AH) de Laúca, no Kwanza Norte, para disponibilizar cinco mil megawatts de capacidade instalada até 2017, enquanto reabilita os de Cambambe e Matala, bem como constrói a central Cambambe II e a do Soyo.
A informação foi avançada sexta-feira, no Lubango, província da Huíla, pelo ministro João Baptista Borges, no encerramento do 2º Conselho Consultivo Alargado do sector, avançando igualmente a instalação de 500 megawatts de capacidade térmica a ser operacionalizada até ao mês de Dezembro próximo, em várias províncias do país.
De acordo com o governante, ainda no sector eléctrico e em cumprimento do programa estabelecido para o horizonte 2010/2016, dever-se-á preparar o lançamento do concurso para a construção do Aproveitamento Hidrográfico de Caculo Cabaça, com dois mil 100 mw e a reabilitação do AH de Luachimo, com 32 mw, na Lunda Norte.
De igual modo, acrescentou o ministro, prevê-se também a construção do AH de Chiumbe Dala, com 12 mw, na Lunda Sul, e a ligação ao Luena (Moxico), dos sistemas de transporte de alta tensão associados à central de ciclo combinado do Soyo, Cambambe II e Laúca, investimento que conduzirá a valores acima da média africana.
Em seu entender, com a incorporação das mini-hídricas, das energias renováveis não convencionais e do gás natural, Angola deverá tornar-se num dos poucos países do mundo com uma matriz energética com cerca de 85% das suas necessidades satisfeitas por fontes limpas.
O governante disse estar em curso a preparação o Plano Nacional de Águas passível de permitir ao executivo fixar metas e optimizar a exploração dos recursos hídricos nacionais em prol do desenvolvimento, assim como a implementação da segurança energética e reforço do papel do sector empresarial público na melhoria da prestação do serviço público.
O ministro manifestou-se convicto de que a reforma só terá sucesso se cada angolano, enquanto agente público, conhecer os objectivos propostos para serem atingidos e entender que a reforma é o corolário da actuação diária, na busca incessante da melhoria de tudo o que se faz.
Reiterou o apelo para a valorização do lado económico da actividade desenvolvida pelo sector, assegurando receitas, traduzindo a justa compensação pelo serviço efectuado, receitas essas que, bem geridas, permitam assegurar a manutenção dos sistemas de água e energia eléctrica e remunerar condignamente os colaboradores.
"Reconhecendo o ainda insatisfatório desempenho das organizações empresariais, será crucial que se eleve a prestação colectiva, entrega, dedicação ao serviço público e competência profissional, numa consistente arrumação institucional do sector para valorizar os investimentos e assegurar a auto sustentabilidade do sector", asseverou.
Como destaque para as acções realizadas ou em curso, o ministro apontou no domínio da produção, transporte e distribuição da energia eléctrica, a conclusão dos projectos de aumento da capacidade de produção em Cabinda, Lunda Sul e Kuito (Bié), da central hidroeléctrica do Gove, em Julho próximo, e ligação ao Huambo, Caála e Kuito.
No domínio do abastecimento de água destacou a reabilitação e reforço dos sistemas de captação, tratamento e distribuição de água em praticamente todas as capitais de província, cujos resultados têm sido a significativa ampliação da capacidade de abastecimento.
A execução do programa "Água para todos", que atingiu já 48,5% da população rural, ou seja 3 milhões 700 mil pessoas, podendo atingir até ao final de 2012, 60 porcento, bem como o processo de empresarialização do sector das águas e saneamento nas províncias, conferindo sustentabilidade e melhoria da qualidade dos serviços.
O 2º Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Energia e Águas decorreu nos dias 28 e 29 de Julho sob o lema "Investindo na energia sustentável e água para todos ", e contou com a participação de quadros do sector.