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16-06-2012 10:34

Bengo
Autoridade tradicional sugere resgate cívico e moral sobre alambamento

Caxito – O dembo geral da comuna do Zala, município de Nambuangongo, província do Bengo, Carlos Adão, considerou hoje necessário que se trabalhe mais no processo de resgate cívico e moral, em relação à situação a que está voltada a oficialização da relação conjugal.
 
Abordado pela Angop, para fazer uma comparação do alambamento de hoje e do passado, disse notar-se actualmente um certo exagero por parte de muitas famílias, o que retira o espírito dos hábitos e costumes em relação ao antigamente.
 
Referiu que actualmente “no casamento tradicional” exige-se muita coisa, que vai desde elevadas somas em dinheiro cobrado ao noivo, a outros bens materiais, jóias e quantidades exorbitantes de bebidas.
 
Explicou que na região do Zala (Nambuangongo) e Bela Vista (Ambriz), anteriormente o casamento tradicional ou alambamento exigia-se ao noivo e sua família um garrafão de óleo de palma, um animal doméstico ou selvagem, assim como enchia-se o cano de uma arma que se chamava “kimbundo”, com sementes de milho.
 
“Era uma lei que obrigatoriamente se cumpria naquela região, o garrafão ou litro de óleo de palma e o milho, que se abarrotava no tubo de arma, significava um grande alambamento”, ressaltou.
 
Explicou que antes de aparecer o “angolar”, existia um tipo de moeda que se chamava “Nkesse”, actualmente “madikita”, que se apanhava na praia e que fazia a vez de dinheiro. Só se utilizava em zonas onde havia praia.
 
O membro da autoridade tradicional fez saber igualmente que naquele tempo, o pai do noivo solicitava à família da noiva no momento da gravidez, dizendo, neste caso ao pai da menina (responsável da gravidez), que caso a sua mulher nasça “mulher ou homem” vai casar-se com o seu filho.
 
Segundo Carlos Adão, o alambamento designa um costume da cultura bantu, com finalidade do reconhecimento oficial do noivo, junto da família da noiva, cuja cerimónia restrita deve ser testemunhada apenas por familiares directos das partes, contrariamente à prática actual.
 
Por seu turno, a anciã Domingas Francisco de Carvalho, 75 anos de idade, disse que na região de Caxito, município do Dande, actualmente denota-se graves atropelos em relação às normas anteriores, o que é necessário resgatar os valores cívicos e morais.
 
Sublinhou que, anteriormente o noivo tinha que saber em primeiro lugar a proveniência da noiva, além de outros requisitos exigidos ao casal, que consistia em dominar o trabalho agrícola, doméstico, ser respeitoso perante os mais velhos, assim como ter bons hábitos e costumes.
 
As famílias, de acordo com Domingas de Carvalho, muitas vezes procediam a entrega voluntária da noiva aos pais do noivo, pelo facto de ser um homem respeitoso, obediente e trabalhador.





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