Luanda – O apóstolo da Igreja da Palavra e Poder Divino em Angola (IPPDA), Victor David Segunda, considerou hoje (quarta-feira), em Luanda, a fuga à paternidade o maior e primeiro acto de violência registado em Angola.
Em declarações à Angop, o religioso referiu que muitos progenitores continuam a ter atitudes irresponsáveis perante os compromissos no lar, esquecendo-se de que os filhos necessitam de assistência alimentar e de um crescimento sadio sem que a sua vida e o seu desenvolvimento na sociedade seja prejudicado.
“Esta problemática não está presente apenas em pessoas com necessidades, mas também em cidadãos que têm a vida bem organizada e estabilizada”, lembrou.
O apóstolo, que não avançou números de casos de denúncia de violência nas salas de aconselhamento da IPPDA, indicou que de momento a avaliação é feita de forma positiva.
Adiantou que as campanhas de sensibilização permitiram que se quebrasse o silêncio, fazendo com que as pessoas pudessem denunciar sem medo de sofrer represálias.
Para Victor Segunda, as maiores vítimas da violência doméstica são a mulher e a criança, embora existir um número considerável de homens vítimas te agressão.
Avançou ainda que tal sensibilização tem sortido efeitos, pois chama a atenção da sociedade de que a violência doméstica deve ser banida dos lares, dos locais de trabalho, entre outros lugares.
Segundo o apóstolo, com a Lei sobre a Violência Doméstica sentiu-se da parte dos cidadãos um maior interesse em colaborar, quer na divulgação quer nas denúncias.
“O conhecimento desta lei fez com que muitos homens procurassem a igreja e o Ministério da Família e Promoção da Mulher para obter mais informações sobre o comportamento a ter no seio familiar e laboral, para uma melhor harmonia e organização”, prosseguiu.
A falta de diálogo nas famílias, associada ao desemprego, pobreza e consumo excessivo de álcool são apontadas como as principais causas dessas práticas.
Para si, a fuga à paternidade é a abstenção de um pai em assumir a sua responsabilidade e apelou à mudança de comportamentos e atitudes, uma vez que quando surge a situação “os petizes tornam-se indefesos, frágeis e facilmente se perdem” em más condutas que prejudicam o seu futuro.
Afirmou que o fenómeno abrange toda franja da sociedade, em alguns casos é por falta de condições sociais por parte dos pais e muitos deles se sentem obrigados a fugir à paternidade por impossibilidade de condições financeiras.
Em outros casos, frisou, os indivíduos têm condições financeiras para poder assumir estes filhos, mas por terem outros compromissos conjugais negam a paternidade, o que é condenável.