Luanda – A problemática da violência doméstica deve ser assunto prioritário nas redacções dos órgãos de Comunicação Social públicos e privados do país, de forma a relevar espaços maiores para o tema, no cumprimento do seu papel de divulgação.
Esta constatação é da secretária-geral do Sindicato de Jornalistas Angolanos, Luísa Rogério, quando falava sobre o tema "O impacto da cobertura mediática dos casos de violência doméstica”, na Conferência Internacional para o Encerramento da Primeira Fase da Campanha “Desafiando o Silêncio”, do Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade no Género.
Segundo a responsável, a questão da violência doméstica ganha maior relevância num país como Angola, que foi profundamente marcado por longo período de guerra, deixando traumas irreversíveis a milhares de pessoas.
Salientou que os profissionais da Comunicação Social devem primar pelos princípios da ética e deontologia profissional, de forma a fazer a diferença, não ferindo, de igual modo, à dignidade das pessoas envolvidas nos casos de violência.
Asseverou que a violência doméstica não se trata apenas de agressões físicas, mas também psicológicas e mental, onde incluem ofensas verbais, perseguições, clausura, privação de recursos físicos e financeiros, dentre outros.
Nesta vertente, salientou que as principais vítimas de violência doméstica em Angola são crianças, mulheres, idosos, portadores de deficiência física, atingindo também os homens.
Sublinhou que mais do que informar, o jornalista deve assumir o papel de formador da sociedade através de entrevistas, debates, explicar e contextualizar o tema, de modo que as pessoas entendam o fenómeno da violência doméstica.
"Os órgãos de Comunicação Social estatais e privadas devem abordar o assunto de forma aberta a todos os níveis, pondo de lado o sensacionalismo, transformando o tema em manchete apenas quando a vítima ou pessoas envolvidas tenham notoriedade", acrescentou.
Participaram no Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade no Género, governantes e mulheres jornalistas nacionais e estrangeiras.
Desde Dezembro de 2008, o fórum implementa a campanha “Desafiando o silêncio”, cuja primeira fase encerrou quinta-feira.