Luanda - Os bispos da Igreja Católica solicitaram hoje, terça-feira. em Luanda, maior protecção as vítimas de acusação de feitiçaria, em especial as crianças, e a responsabilização criminal dos seus autores, visando o bem estar social.
Este apelo foi feito durante o encontro mantido com a sexta comissão da Assembleia Nacional em que estiveram em análise questões relativas a obra social da igreja no domínio da educação, saúde, protecção da infância e formação profissional, bem como o estado da comunicação social, a proliferação de ceitas religiosas e o código da família.
Segundo o bispo de Mbanza Congo, Dom Xingo ya Hombo, a feitiçaria é um verdadeiro terrorismo cultural, cuja crença aliada a pobreza em que vivem as famílias tem levado as pessoas a cometer actos desumanos, cujas principais vítimas são os velhos e crianças, sobretudo na zona leste e norte do país.
Afirma que várias crianças são violentadas e afastadas das suas famílias sob esta acusação sem que os seus autores tenham a devida punição, pois apontam como justificação dos seus crimes motivações culturais.
Como solução para este problema a igreja aponta a melhoria das condições sociais das familias, maior investimento na saúde, educação e a evangelização da comunidade.
"A doença é sempre justificação para a ida ao feitiçeiro e a ignorância leva as pessoas a acatarem conselhos absurdos que atentam contra os direitos humanos daí a necessidade de garantir mais acesso aos hospitais e as escolas em todos os pontos do país",. frisou.
Por outro lado, refere, devem ser criadas condições para a recuperação psicológica das vítimas e reitegração social, pois a discriminação afecta o seu desevolvimento.
Outra preocupação apresentada aos deputados é a proliferação de ceitas religiosas pelo país, muitas das quais com práticas contrárias a lei divina, entre as quais o fomento na crença pelo feitiço para se afirmarem como libertadores deste mal.
Para o clero, o surgimento é o resultado da má utilização do princípio da liberdade de culto plasmado na constituição, desejo de protagonismo social, ambição do lucro e aproveitamento da ignorância religiosa do povo para se expandir rapidamente.
Por este facto, os bispos católicos afirmam que o Estado deve prestar mais atenção a este fenómeno para evitar futuros conflitos sociais e culturais.
No final do encontro, o presidente em exercício da Assembleia Nacional, João Lourenço, referiu que a igreja católica é um dos principais parceiros sociais do governo angolano na solução dos seus problemas que afectam os angolanos, em especial nos dominios da educação, saúde, infância e outros.
Segundo o deputado, a conjugação de esforços é a única via para se alcançar de facto o bem estar da comunidade, identificar as falhas e corrigir os erros, razão pela qual a sexta comissão está a promover o debate com as diversas instituições para auscultar as suas preocupações e conhecer os seus programas de acção.