Luanda - A prática da medicina tradicional e outras acções complementares, usadas fundamentalmente em muitas regiões do país, para tratar certas doenças, tem servido também para promover a saúde pública junto das populações, reafirmou, segunda-feira, em Luanda, o terapeuta Kitoco Mayavanga “Avó Kitoco”.
A afirmação do Presidente do Fórum da Medicina Tradicional em Angola (FMTA), Avó Kitoco, foi efectuada na capital do país, onde decorreu a Primeira Conferência Nacional de Medicina Tradicional e Práticas Complementares, sob o lema ”O resgate e a valorização da Medicina Tradicional Segura, ao serviço da saúde”.
No evento, realizado no Centro de Conferências de Belas, considerou que tais práticas tradicionais e outras acções curativas populares, “são complementar a medicina moderna, sobretudo, nas zonas rurais” dos países com poucos serviços na área sanitária.
Entretanto, disse Avó Kitoco, alguns Estados integraram já a Medicina Tradicional no seu sistema nacional de saúde, tendo em conta a eficácia e segurança demonstrada no uso de fármacos de origem vegetal, raízes e outros bens e produtos.
Segundo o orador, “a Medicina Tradicional é baseada em culturas e práticas tradicionais que remontam milhares de anos, antecede a medicina moderna e trata as doenças, principalmente na base de plantas, ervas, raízes e outros derivados vegetais”, reforçou.
Entretanto, disse, em alguns países, ela ainda é vista como uma prática associada a valores espirituais e éticos-morais, e “é caracterizada como conhecimento empírico ou prático, resultante de hábitos consagrados pela experiência, e não em acções médicas reconhecidas e consideradas plausíveis pela medicina moderna”.
Para o responsável, a realização da conferência eleva o papel da Medicina Tradicional a um patamar condicente com o contributo que estás práticas têm dado no tratamento de doenças físicas e mentais junto da população em Angola.
O Presidente do Fórum deu ainda a conhecer que o referido encontro resulta de seis reuniões regionais, realizadas nomeadamente em Luanda, Lubango (Huíla), Luena (Moxico), Malange, Uíge Huambo, todas levadas a cabo com o apoio do Executivo.
De acordo com o terapeuta, “o encontro serve ainda para analisar e enriquecer o documento da política nacional sobre a Medicina Tradicional e Práticas Complementares, bem como seu anti-projecto de lei para regulamentar juridicamente o exercício da Medicina Tradicional em todo o território nacional.
O Fórum da Medicina Tradicional em Angola atribuiu um diploma de mérito ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, pelo apoio e empenho pessoal para garantir o desenvolvimento das acções curativas por parte dos terapeutas tradicionais.