Uíge - A secretária da Presidência da Republica Para os Assuntos Sociais, Rosa Pacavira, afirmou hoje, segunda-feira, na cidade do Uíge, que a medicina tradicional tem um papel fundamental no tratamento de certas doenças no país.
Falando na cerimónia de abertura do Fórum Regional (abarca as províncias do Uíge, Zaire e Cabinda) para a Política Nacional de Medicina Tradicional e Práticas Complementares, disse ser preocupação do Presidente da Republica, José Eduardo dos Santos, orientar este tipo de encontros, com vista a dar-se maior dinamismo, valorização e protecção ao terapeuta.
Considerou necessário que se discuta nesse encontro regional um documento que vai possibilitar o terapeuta trabalhar de forma legal, para a sua inserção no sistema nacional da saúde, para que ao lado de um médico convencional haja um terapeuta.
Depois de reconhecer a existência no país de alguns terapeutas falsos, que enganam a população e usurpam o seu dinheiro, sugeriu a criação de condições para que o terapeuta possa exercer de forma eficaz o seu trabalho.
"Hoje vamos discutir a lei para a promoção de boas práticas", avançou, sublinhando que é necessário criar uma lista de todos os terapeutas do país e todas as plantas que usam para a posterior divulgação a nível internacional.
Rosa Pacavira sublinhou ainda que a medicina tradicional tem uma importância transversal e estratégica para muitos cidadãos. "Permite a valorização do terapeuta, garantido o resgate de tradições dos angolanos, como parte do seu património", disse.
Informou que em Angola existem 27 espécies vegetais, de plantas para madeira, alimentação, medicamentos e outros, assim como 45 mil terapeutas.
Reconheceu que muitos estrangeiros levam as plantas do país e depois transformam-nas em comprimido para vir vender aos angolanos e não há qualquer documento que o proíbe ou protege o angolano nesse sentido.
Por sua vez, o ministro da Saúde, José Van Dunem, advogou a necessidade de uma intervenção transversal, para que todas as instituições do governo possam trabalhar para a integração de todos os autores da medicina tradicional.
Disse que o objectivo do encontro é saber quantos são e o que estão a fazer esses quadros, quais são as principais doenças tratadas, capacidades de trata-las, quais são as raízes a utilizar e os procedimentos predominantes dos praticantes".
"Nesse esforço do governo de procurar melhorar a saúde da população, os terapeutas tradicionais têm um papel fundamental, por razões de ordem cultural", disse.
Acrescentou que a população procura primeiro a medicina tradicional, antes de medicina convencional, daí a necessidade de se criarem normas para as praticas de medicina tradicional, que permitam servir melhor a população.
O Fórum Regional para Política Nacional de Medicina Tradicional e Práticas Complementares, a realizar-se de 9 a 10 de Julho, na cidade do Uíge, sob o lema "o resgate e a valorização da medicina tradicional segura ao serviço da saúde" decorre em sistema de palestras e em quatro comissões de trabalho.
Para o efeito, deslocaram-se à província para a prelecção dos temas agendados representantes de vários ministérios a nível central, como da Saúde, Educação, Comunicação Social, Administração do Território, MAPESS, Agricultura, Cultura, Justiça, Ensino Superior e outros.
Visa integrar as práticas da medicina tradicional no sistema de saúde, de modo a garantir cuidados de saúde, com eficácia, segurança e qualidade a toda a população.