Luanda– A ex-primeira-ministra e actual deputada moçambicana Luísa Diogo defendeu hoje, quinta-feira, em Luanda, que a redução dos índices de mortalidade materno-infantil em África passa pela adopção, pelos estados, de medidas que integrem todas as componentes de saúde.
Entre essas medidas, elucidou a parlamentar, que hoje chegou ao país para participar na
Conferência Regional da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM), estão a reabilitação das infra-estruturas sanitárias, formação de pessoal, adopção de procedimentos correctos, atendimento, certeza e a segurança.
“Quando uma mulher ouve falar de uma unidade sanitária deve estar segura de que aquele é o sítio mais certo e correcto para iniciar ou terminar a sua gravidez. Quando isso acontece, ela vai se aproximar mais desse lugar”, sustentou Luísa Diogo, em declarações à imprensa, no aeroporto “4 de Fevereiro”.
De igual modo, advogou a extensão do serviço de saúde, facilitando-se o acesso, em particular da classe feminina, aos postos ou centros de saúde.
Por outro lado, disse que a alimentação da criança nos primeiros anos de vida é um problema sério no continente, realçando que quando a mãe consegue ter um parto em condições e alimentar a criança adequadamente durante esse período as coisas correm bem.
Na sua óptica, as coisas complicam-se com o aparecimento de uma segunda gravidez num curto espaço de tempo, pois a primeira criança deixa de ser amamentada ou alimentada da melhor forma e pode tornar-se sub nutrida.
“As comidas alternativas são muito difíceis, a higiene é posta em causa, o acesso a água potável começa a ser uma grande preocupação e aí surgem grandes preocupações. Por altura desse parto pode ser a mãe ou o bebé a falecer”, enfatizou.
Considerou que esses indicadores têm a ver com um desenvolvimento integrado, porque a mãe e a criança são unidades principais para o desenvolvimento de uma sociedade.
Por isso, aconselha que os investimentos a serem feitos de forma integrada na área da saúde devem convergir para que o indicador da mortalidade materno-infantil possa situar-se a um nível minimamente aceitável para a África subsahariana.
A Federação Democrática Internacional das Mulheres foi fundada em Dezembro de 1945. É uma organização não-governamental que reúne associais femininas e feministas do mundo inteiro, sem distinção de nacionalidade, dependência religiosa, etnia ou opinião política. Tem por finalidade agir de forma comum em várias vertentes.
A FDIM tem ainda como objectivos conquistar e defender a igualdade dos direitos e a possibilidade de acesso da mulher em todos os domínios e níveis da vida económica, política, cultural, social e familiar, eliminando todas as formas de discriminação.
Entre vários objectivos, a FDIM luta pela defesa dos direitos das crianças, pela paz, democracia, justiça social, liberdade, auto-determinação, independência nacional, soberania e desarmamento, bem como por um mundo livre de armas atómicas e outras de destruição em massa e protecção do ambiente.