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03-10-2008 16:32

Discurso
Íntegra do discurso do PR José Eduardo dos Santos no empossamento do novo Governo

Angop
Presidente José Eduardo dos Santos discursando
na tomada de posse do novo Governo
Presidente José Eduardo dos Santos discursando na tomada de posse do novo Governo

LUANDA, 3 de Outubro de 2008

SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO,

SENHORES MINISTROS E SECRETÁRIOS DE ESTADO,

ILUSTRES CONVIDADOS,

MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,

Nos dias 5 e 6 de Setembro passado os angolanos exprimiram nas urnas o que querem, ao escolherem o Programa Eleitoral do MPLA.

Esta decisão faz cessar a vigência do programa que estava em execução, em conformidade com os resultados das eleições de 1992 e com o Protocolo de Lusaka de 1994, de que emanou mais tarde o Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN), formado em Abril de 1997.

Com uma maioria qualificada, o Povo angolano legitimou assim soberanamente o MPLA, confiando-lhe o poder para governar o país  nos próximos quatro anos, tornando deste modo caducos o Protocolo de Lusaka, todos os instrumentos jurídicos dele decorrentes e o Governo de Unidade Nacional.

Apraz-me, assim, expressar o meu reconhecimento a todas as pessoas que ocuparam funções no GURN, pela colaboração que prestaram e a valiosa contribuição à resolução dos problemas nacionais e à consolidação da paz e da harmonia social.

Vivemos hoje um momento de grande significado político e histórico. Há poucas semanas o mundo foi surpreendido pelos angolanos, pela forma maciça, ordeira e responsável como se dirigiram às umas e votaram livremente no partido da sua preferência.

Há poucos dias teve lugar a cerimónia de investidura dos deputados da Assembleia Nacional e a formação dos seus órgãos internos, estando assim em preparação o início da Nova Legislatura e o começo de um novo ciclo da vida política nacional!

É grande a expectativa dos angolanos e da comunidade internacional. Ela foi criada pelo conteúdo da mensagem política que o MPLA dirigiu ao povo e pelo compromisso que assumiu de continuar com determinação e dedicação a obra iniciada com sucesso e de aplicar seriamente, na prática, o seu Programa de Governo.

O cumprimento deste compromisso é transferido hoje ao Governo da República que o MPLA acaba de formar e que tive o prazer de nomear, conferindo agora posse ao mesmo na minha qualidade de Presidente da República.

Agradeço, assim, ao senhor primeiro-ministro por ter aceite a nobre missão que lhe foi confiada. As suas qualidades pessoais, o seu perfil profissional e académico, bem como a experiência, que acumulou noutros cargos que já ocupou, dão-nos a garantia de que desempenhará, com êxito, as suas funções.

Aos senhores ministros e secretários de Estado exprimo também o meu apreço por terem aceite o convite para integrar o novo Governo. Conto com a vossa colaboração, dinamismo e entrega à causa comum de governar a bem da Nação.

O Programa de Governo do MPLA definiu vários eixos de acção, de que decorrem programas e sub-programas com orientações gerais, orientações específicas, objectivos e metas.

O Governo vai agora preparar e aprovar o Plano Nacional e o Orçamento Geral do Estado para materializar essas intenções e deverá remeter estes dois documentos reitores à Assembleia Nacional até ao dia 31 de Outubro para aprovação final, por forma a que comecem a ser implementados a partir de 1 de Janeiro de 2009.

Um clima propício para essa implementação deverá ser criado desde já, através de acções que sirvam para consolidar a paz, manter a estabilidade política e reforçar a democracia.

A discussão de alguns assuntos com os cidadãos destinatários da nossa acção e com organizações da sociedade civil e ainda o diálogo e a concertação regulares com os parceiros sociais (empregadores e centrais sindicais) são vias que garantem uma participação organizada no tratamento das questões e reforçam a compreensão e a estabilidade política.

Por outro lado, a estabilidade macro-económica e a criação de condições para assegurar um crescimento económico sustentado, com uma percentagem de dois dígitos em relação ao PIB, é a ambição que deve mover o Governo e, em particular, a sua equipa económica.

Para tal deve ser feita uma gestão correcta da política monetária, fiscal e de rendimentos e preços, por forma a provocar a queda da inflação, que deve atingir os treze porcento no fim do ano, e situá-la de modo sustentável abaixo dos dez porcento no futuro.

Deve-se também restabelecer a verdade sobre os preços na economia, criar incentivo ao investimento e definir uma política de crédito e de fomento que favoreça o surgimento de um grande número de micro, pequenas e médias empresas, como fonte geradoras de bens essenciais de consumo e de postos de trabalho.

É preciso definir a estratégia e política para o controlo e gestão da dívida pública interna e externa, cuja execução deve ser apreciada periodicamente pelos órgão colegiais do Governo, tal como a evolução e aplicação das reservas financeiras do Estado.

Há cerca de três anos começámos a implementação de um vasto programa de reabilitação, construção e desenvolvimento de infra-estruturas. Agora precisamos de efectuar o balanço desta actividade e perspectivar as intervenções subsequentes.

Em primeiro lugar será necessário prever no O.G.E. os recursos para assegurar manutenção e funcionamento normal dos empreendimentos concluídos e depois recorrendo a fontes próprias e alheias, deveremos financiar a continuação dos projectos de reconstrução, modernização e ampliação de infra-estruturas de grande dimensão, que na economia jogam um papel estruturante, como os grandes empreendimentos nos domínios da Energia e Águas, o Caminho de Ferro de Benguela e o Porto do Lobito; o Caminho de Ferro de Moçâmedes e o Porto do Namibe; o novo Aeroporto Internacional e o Porto Comercial de Luanda, rentabilizando a gestão destes na base dos respectivos estudos de viabilidade económica e, por outro lado, a rentabilização da rede fundamental de estradas e pontes.

Ao longo destas e de outras vias secundárias e terciárias está estruturada a rede de aglomerados populacionais, como as cidades, vilas, aldeias e povoações, sendo esta mais ou menos densa em função da vocação económica das regiões e localidades e de empreendimentos industriais e agro-pecuários outrora existentes.

O Programa do Governo que está em execução prevê o surgimento de novos empreendimentos económicos de grande envergadura e a criação de pólos industriais, perímetros irrigados, zonas económicas especiais de desenvolvimento e a valorização dos recursos naturais no contexto de uma economia integrada e auto-sustentada, baseada no modelo de desenvolvimento sustentável, em que se presta uma atenção permanente à preservação do meio ambiente.

Que o sector que se ocupa do Ordenamento do Território esteja atento a essa evolução e estude as directrizes de Planeamento que  permitam definir as acções de restabelecimento do património herdado, harmonizadas com as novas perspectivas de distribuição espacial racional das forças produtivas e do processo de reordenamento rural.

Senhor Primeiro-Ministro

O combate à fome e a à pobreza é uma prioridade de primeira linha, tal como o igualmente a materialização do sub-programa de segurança alimentar ou auto suficiência alimentar.

As bases deste sub-programa estão praticamente lançadas. Há que aperfeiçoá-la, harmonizando as acções dos sectores da agricultura, da indústria, do comércio, dos serviços de controlo da qualidade, etc., e organizar convenientemente a sua aplicação com objectivos anuais quantificados.

Uma atenção especial neste domínio deve ser prestada as comunidades rurais, tratando com o mesmo sentido de urgência da execução do Programa Integrado de Desenvolvimento Rural.

Senhor Primeiro-Ministro,
Senhores Ministros e Secretários de Estado
,

Foi estabelecido um objectivo muito ambicioso para o sector da habitação, isto é, promover a construção de um milhão de fogos durante o actual mandato. Quanto mais cedo começarmos, melhor.

Aqui também já existe um programa em que se vem trabalhando, desde há quatro meses. Estão identificadas reservas fundiárias em todas as províncias e estão adiantados os estudos sobre as políticas públicas e os instrumentos jurídicos que visam facilitar o loteamento, o acesso ao crédito à habitação e ao crédito imobiliário e a formação de parcerias entre o Estado e o sector privado.

Para apoiar esse esforço, temos que acelerar a reabilitação da indústria de extracção e transformação do ferro, aumentar a produção de cimento e de todo o tipo de materiais de construção e promover a sua comercialização a preços acessíveis.

Aqui também são precisas equipas dinâmicas e uma acção vigorosa do órgão de tutela. Peço-vos, por outro lado, que continuem a reforçar a nossa acção no domínio da saúde e da educação. O nível de cobertura sanitária e os indicadores de saúde do país melhoraram significativamente, mas ainda estão muito aquém dos nossos objectivos.

Na educação, aumentou o número de alunos e estudantes em todos os níveis do ensino e melhoraram os nossos programas escolares, mas ainda há muito por fazer.

Assim, temos que continuar a aperfeiçoar o Sistema Nacional de Saúde, a formar cada vez mais médicos, especialistas e gestores hospitalares, para melhorarmos a qualidade da assistência médica e medicamentosa.

No sector da Educação, penso que devemos fazer uma avaliação da execução dos programas de reforma do sistema educativo e do sub-sistema do Ensino Superior, para detectar as insuficiências e corrigi-las e definir os instrumentos para a materialização das orientações dimanadas do Programa de Governo aprovado pelos eleitores, com vista a melhorar a qualidade do ensino, as condições de trabalho dos docentes e a gestão dos estabelecimentos de ensino em todos os níveis.

É necessário continuar a formação de quadros capazes, no país e no estrangeiro, e incentivar o desenvolvimento da investigação científica fundamental e aplicada.

A alfabetização e a formação técnico-profissional, cujos métodos de ensino e aprendizagem são agora mais modernos e adaptados a nossa realidade devem continuar a ser processos maciços destinados a satisfazer as necessidades de certas faixas da juventude e da população adulta e a preparar os cidadãos para a aquisição de emprego.

Sr. Primeiro Ministro

O processo de reforma será extensivo à Administração Pública Central e Local, à Justiça e ao Direito e ao sistema de Defesa e Segurança do país, no quadro da consolidação do Estado Democrático de Direito e da construção de um país estável e seguro, capaz de dar a sua contribuição ao desenvolvimento da região em que está inserido e de promover uma diplomacia activa a favor da paz, da liberdade, da justiça e do respeito do direito nas relações internacionais.

A Cultura e o Desporto serão tratados como sectores essenciais e factores de reforço da identidade e da unidade nacional.

Tudo deverá ser feito para que sejam materializadas as conclusões do último Simpósio Nacional da Cultura, de modo a incentivar a criação, o desenvolvimento das artes, da cultura popular e do folclore.

No Desporto, há necessidade de se actualizar a legislação em vigor, formar técnicos de diferentes especialidades, massificar a prática desportiva e estruturar o desporto de alta competição, de modo a melhorar a nossa prestação em todas as competições internacionais.

Uma nova Lei Orgânica do Governo será submetida à aprovação do Conselho de Ministros. Ela clarifica as funções do Primeiro Ministro, à luz da Lei Constitucional e do Acórdão do Tribunal Supremo, nas vestes de Tribunal Constitucional, de 21 de Dezembro de 1978, e o papel do Presidente da República e Chefe do Governo. Além disso, o Presidente da República fará a articulação necessária com o Partido maioritário, enquanto que o Primeiro-Ministro será o elo de contacto com a Assembleia Nacional e de diálogo com os parceiros sociais do Governo.

Senhor Primeiro-Ministro,
Senhores Ministros e Secretários de Estado
,

São muitas as tarefas que nos esperam, mas sabemos por onde começar e como caminhar, porque afinal o Povo aprovou o Programa que indica o rumo a seguir.

Diz-se que é conversando que os homens se entendem. Mas aqui no Governo penso que é trabalhando bem, com dedicação e disciplina, que todos se entendem. Sei que é um homem de acção e é só isso que de nós se espera - acção, mais trabalho e menos discursos!

Felicito a todos e desejo muitos êxitos no cumprimento da vossa nobre missão.






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