Rio de Janeiro (Dos enviados especiais) – A Conferência de Chefes de Estado e de Governo sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) foi dominada, nesta quinta-feira, por debates em mesas redondas, sobre temáticas ligadas ao crescimento económico e social, harmonizados ao ambiente.
Angola participa no certame com uma delegação multi-sectorial chefiada pelo vice-presidente da República, Fernando da Piedade Dias dos Santos, em representação do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.
As mesas redondas incidem sobre matérias como “política inovadora para o investimento responsável”, “investimentos públicos: desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável” e “eficiência energética”.
Os demais temas são “economia verde em África”, “desenvolvimento rural sustentável: povos e comunidades tradicionais”, “governação para a sustentabilidade”, “sustentabilidade: um planeta de oportunidades” e “negócios verdes”.
Paralelamente, as sessões plenárias continuam a ser dominadas por discursos de alguns estadistas. O mesmo deve acontecer hoje na sexta-feira, último dia da Conferência. Relativamente às expectativas quanto ao desfecho da Conferência, os líderes latino-americanos são dos mais críticos, de modo particular os presidentes boliviano e colombiano.
Evo Morales, presidente da Bolívia, arrancou aplausos da assembleia, ao criticar a chamada “economia verde”, que rotulou de uma “mercantilização da natureza” e uma “nova forma de colonialismo” para subjugar os países em desenvolvimento.
Por seu lado, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, reconhece que os organismos multilaterais são locais difíceis para se obter consensos e acredita que, com outra perspectiva, o documento final, a sair da Cimeira, pode ser considerado até um avanço.
” O óptimo é inimigo do bom. Entendo a decepção, mas temos que convir que sair daqui (Cimeira) com um documento que pode gerar algo concreto já é satisfatório”, disse o presidente.
Ele referia-se ao grupo de trabalho encarregue da elaboração das propostas dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, para substituir os Objectivos do Milénio.
Este optimismo é, de resto, também partilhado pelo secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, que se disse confiante de que o documento fornece uma base sólida para a promoção do desenvolvimento sustentável no mundo. “O documento contém pacotes muito amplos e ambiciosos para o desenvolvimento sustentável, que respondem aos três pilares dos nossos objectivos: igualdade social, desenvolvimento económico e sustentabilidade. Há muitas recomendações claras. O importante agora é a implementação de todas essas recomendações”, disse.
“É um excelente documento, que pode colocar todos na sustentabilidade viável. Uns podem ter visões diferentes mas, para as Nações Unidas, estamos muito agradecidos pela liderança da presidente Dilma Rousseff e sua equipa, que levou essas negociações a tamanho sucesso”.
Assim, destacou que, para além da decisão de criar metas conjuntas de acção, os países precisam acelerar a implementação das metas de desenvolvimento do milénio até 2015.