Huambo – A aplicação no país de modelos democráticos importados de realidades muito diferentes da angolana foi repudiada hoje (quarta-feira) pelo administrador do município do Huambo, José Luís de Melo Marcelino.
Este repudio foi manifestado quando o responsável discursava na cerimónia de abertura do seminário de apresentação pública do projecto de reforço das capacidades das organizações da sociedade civil, numa iniciativa da ADRA (Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente).
Defendeu que tais modelos, que considera serem exógenos, devem ser aplicados com recurso às boas experiências dos poderes políticos, sociais, administrativos e tradicionais existentes no país e em franca adaptação à realidade actual.
Informou que os estereótipos de democracias do mundo desenvolvido, que se tentam introduzir nos países pobres e pouco desenvolvidos, têm mostrado conduzir a muito mais problemas do que soluções.
O administrador do município do Huambo disse que o reforço da cidadania, do civismo, das capacidades organizativas da população, a defesa dos direitos de cada um, o respeito pela propriedade alheia, os valores morais e cívicos, o respeito pelas hierarquias sociais e etárias têm modelos que não precisam ser importados pelos angolanos.
“Precisamos apenas de aplicar e seguir os bons exemplos nacionais que temos, imitar aquelas aldeias e quimbos mais recônditos, onde o poder e a hierarquia flúem de forma natural, a educação cívica está dentro de cada um, as práticas do quotidiano são aplicadas sem o conhecimento teórico das leis ou regulamentos”, frisou.
José Marcelino disse também que os programas, com uma componente social, moral e cívica muito vincada, facilmente podem ser instrumentalizados e conduzir a situações que em nada têm a ver com o objectivo primordial a que se destinam.