Addis Abeba (Do enviado especial) - Os ministros dos Negócios Estrangeiros e embaixadores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) estiveram reunidos hoje (sexta-feira), em Addis Abeba, para concertações e análise da candidatura da SADC à presidência da Comissão da União Africana.
A reunião que decorreu numa das salas do novo edifício da União Africana foi presidida pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chicoti, na qualidade de pais que detém a presidência rotativa da SADC.
A saída do encontro, Georges Chicoti disse à imprensa angolana que estavam reunidos todos os ministros da da SADC, convocados para fazer uma concertação rápida sobre o estado da campanha a favor da ministra sul-africana do Interior, Nkozasana Zuma que á candidata da organização regional.
"Estiveram aqui reunidos todos os ministros dos Negócios Estrangeiros da SADC para podermos avaliar o estado da campanha e ver qual de outras iniciativas que podemos fazer", sublinhando ser uma reunião curta, mas na qual se atingiu bons resultados " e que a campanha está a correr bem".
Acrescentou que os MNE estão satisfeitos com o estado actual do andamento da nossa campanha e vão continuá-la. Esta tarde terão um outro encontro, no qual convidaram outros ministros.
Para o chefe da diplomacia angolana, o encontro permitiu saber qual é a informação que cada ministro conseguiu obter sobre a campanha.
Sobre as diferenças de opinião entre as duas campanhas, o governante frisou ainda que correm a SADC com a Zuma, apostada na mudança de saber fazer as coisas aqui na União e a de Jean Ping, que quer a continuidade.
"Naturalmente que, com a continuidade, pelo facto de muitas coisas não foram bem feitas na organização continental, algumas pessoas querem a mudança, além de mais não está consagrada a regra de dois mandatos para cargo da presidência da CUA", esclareceu.
Realçando que os estatutos prevêem um mandato, depois do fim, elege-se um novo presidente da organização, "e a SADC vai para essa eleição com uma candidata da região, apoiada por todos os países da África Austral, por isso, vamos intensificar a sua campanha".
Indagado se a campanha não relegou em segundo plano o tema da cimeira que é a "Promoção do Comércio Intra-africano", considerada pelos observadores de utopia, o ministro afirmou ser, por esta razão, que a SADC quer uma mudança na forma de se fazer as coisas.
A SADC tem esperança que se conseguir um mandato para a Nkozasana Zuma, a primeira coisa a fazer é redefinir as prioridades do continente africano, "porque a promoção do comércio neste momento não constitui uma prioridade, numa altura que a África não tem uma estabilidade total".
Neste momento, de acordo com a fonte, tem de se olhar bem para a integração do continente africano, onde estão as infra-estruturas para sustentar esse comércio, portanto, "não se pode por a charrua a frente dos bois, posto isso, precisa-se de algum realismo que possa vir de pessoas que tenham, essa visão".
Sublinhou que a nível da SADC está-se a rever o Plano Estratégico para repriorizar as prioridades ao desenvolvimento nacional, e se augura que ocorra o mesmo no seio da União Africana, "para não se fazer declarações que nada tem a ver com a realidade daquilo que os países estão a viver", rematou.
Segundo Chicoti, criar-se uma Alta Autoridade para a UA, a moeda única, e promoção do comércio africano, "é uma precipitação, porque os que criaram a moeda única, a poucos anos, estão a pensar em recuar, quis referir-se a União Europeia.