Luanda – O presidente de Cabo Verde, Pedro Pires disse em Luanda, que vai começar a escrever as suas memórias logo depois de fim do seu mando, em 2011, mas apela os especialistas a reescreverem a história do país sem influências ideológicas.
Em declarações a jornalistas angolanos no âmbito da sua estada em Angola, declarou que pensa em escrever “as memórias a sério”.
“Quero qualquer coisa que ultrapasse as minhas memórias. Seriam as minhas e as dos meus companheiros de caminhada”, realçou.
Lamenta e aponta como constrangimento o facto de alguns companheiros já não estarem em vida, o que constitui “uma perda em matéria de dados”.
Apela aos historiadores e intelectuais do país a promoverem uma releitura da história, porque a actual não lhe dá satisfação, por não “ser a concreta, real, mas ideológica (…) para justificar alguns actos ou medidas.
Pedro Pires disse caber as universidades fazer a investigação histórica no sentido de desencobrir o que ficou encoberto, no sentido de uma lógica da visão histórica.
Presidente da República de Cabo Verde, desde Fevereiro de 2001, Pedro de Verona Rodrigues Pires, nasceu a 29 de Abril de 1934, na localidade de Santana, freguesia de S. Lourenço, na ilha do Fogo, filho de Luís Rodrigues Pires e de Maria Fidalga Lopes Pires.
É casado com Adélcia Barreto Pires, é pai de duas filhas - Sara e Indira Pires.
O desencadeamento da luta armada de libertação em Angola, em Fevereiro de 1961, e a bárbara repressão que se seguiu, contribuíram para a radicalização do ambiente político que se vivia na altura, levando a que Pedro Pires decidisse abandonar clandestinamente Portugal, desertando da Força Aérea Portuguesa.
Integrou então um grupo de cerca de 80 jovens africanos que resolveram sair clandestinamente de Portugal, em Junho de 1961, para se juntar aos movimentos de libertação emergentes nas ex-colónias portuguesas. Segundo mais tarde se constatou, tal
fuga contou com o apoio dos Governos americano e francês.
Em Acra, capital do Ghana, Pedro Pires entra em contacto com a Direcção do PAIGC, sediada na altura, em Conakry, e tem a oportunidade de conhecer pessoalmente Amílcar Cabral.
Questionado sobre que país conta deixar no final do seu segundo mandato presidencial, respondeu: “melhor, mais adulto, muito mais maduro”.
Declarou que desde a proclamação da independência que o país ganha “enquanto estado soberano e actor político internacional.
Goza de prestígio, é escutado, procura contribuir na busca de soluções para problemas sérios no continente africano, particularmente.
Realça o percurso dos seus 50 anos em prol da revolução, apontando como ganhos o facto de se ter conseguido construir “um estado credível, que transmite confiança dentro e fora do país.
Depois da independência, temos um estado de direito, eficaz” e garante o futuro dos cidadãos.
Reconhece a necessidade de se aperfeiçoar as instituições do nosso estado.
Enalteceu, apesar de não se ater a dados estatísticos, o crescimento económico e os progressos “enormes” nos domínios da educação e da saúde.
O Chefe de Estado cabo-verdiano lembra com nostalgia o primeiro presidente de Angola, António Agostinho Neto, adiantando que sempre procurou ser solidário com Cabo Verde e que dele se guarda uma enorme simpatia e amizade.
Disse que foi descerrado recentemente um busto a memória de Agostinho Neto no hospital da Praia, com o nome do antigo Chefe de Estado angolano, como forma de condecorá-lo a título póstumo com o grau da ordem Amílcar Cabral.
Quanto ao acolhimento de um dos prisioneiros da base de Guantanamo, acusado de servir a rede terrorista de Bin Laden, o Presidente cabo-verdiano replicou ser uma ajuda as autoridades americanas para o encerramento daquele estabelecimento penitenciário.
Quando um país atinge a maturidade é obrigado a correr algum risco, apesar de se tratar de gesto de apoio ao Presidente dos Estados Unidos da América para encerrar Guantanamo.
Disse que perante o quadro, compete as autoridades de Cabo Verde tomar todas as medidas de segurança necessárias.