Luanda - A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, considerou hoje, em Luanda, a poetisa são-tomense Alda do Espírito Santo, falecida terça-feira na capital angolana, como uma grande referência da língua portuguesa.
Rosa Cruz e Silva, que falava à imprensa após ter assinado o livro de condolência aberto na sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), acrescentou que ela foi igualmente uma amiga e companheira, que soube colocar-se ao lado dos oprimidos.
De acordo com a ministra, uma das grandes virtudes desta poetisa foi o facto de ter feito da literatura africana a sua arma contra o sistema colonial, tal como Mário Pinto de Andrade, Amílcar Lopes Cabral e Agostinho Neto.
Por este facto considerou que “a nacionalista é também para o povo angolano uma referência admirável, que dignifica os africanos”.
Neste sentido, disse que Alda do Espírito Santo estará sempre presente por intermédio dos seus trabalhos e experiências, tendo defendido a reedição de mais livros da escritora em vários países africanos e lusófonos, de forma a se divulgar para o resto do mundo os seus feitos.
“Tenho a boa lembrança da carta carinhosa que a amiga Alda escreveu, explicando a sua ausência no colóquio sobre Agostinho Neto, na qual se perspectivava relembrar os vários nacionalista que caminharam com Neto e partilharam os mesmos anseios”, recordou.
Alda Neves do Espírito da Graça do Espírito Santo foi ministra da Educação, Informação e Cultura Popular do seu país. Integrou movimentos emancipalistas atinentes à independência das antigas colónias portuguesas.
Foi também deputada e presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe em dois mandatos consecutivos e, até a data da sua morte, era presidente da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé.
A nacionalista deixa uma vasta produção literária dispersa por livros, antologia e jornais são-tomenses e estrangeiros.