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19-09-2009 6:16

Cuba
Agostinho Neto, poeta e revolucionário cabal, diz jornalista cubano

Havana – O jornalista cubano da Prensa Latina, Juan Diego Nusa Peñalver, considerou, em Havana, António Agostinho Neto, de poeta e revolucionário cabal.
 
Intervindo num encontro cultural organizado pela Embaixada de Angola em Cuba em colaboração com o Instituto cubano de Amizade para com os Povos, Juan Nusa, ao comentar os seus apontamentos preliminares feitos com base num trabalho que vem
realizando sobre a obra poética e a vida revolucionária de António Agostinho Neto, recordou que não se pode esquecer de situar no tempo e espaço desde 1948.
 
Foi nessa altura que, o primeiro presidente de Angola integrou e participou nas actividades sociais, políticas, e culturais na Casa dos Estudantes do Império afecto à Universidade de Coimbra em Portugal, onde fez parte do grupo dos estudantes que lançaram o lema “ Vamos descobrir Angola”, que deu origem ao surgimento do movimento de jovens intelectuais da maior colónia portuguesa da África.
 
Segundo o jornalista cubano ao serviço da Prensa Latina, a vocação do poeta e intelectual angolano levou-o a prestar, um ano depois, a sua colaboração numa outra publicação “ Meridiano”, um boletim a cargo da Casa dos estudantes do Império ligada à Universidade de Coimbra que editou esta publicação até 1949.
 
Em 1950, Neto se faz presente na revista “ Momento “, fundada por Lúcio Lara e Orlando Albuquerque e dois anos mais tarde, Agostinho Neto estendeu a sua colaboração junto da revista “ Mensagem”, editada em Luanda e pertencente a Associação dos Naturais de Angola.
 
Referiu que sempre na procura de vias e meios para espalhar as suas ideias da libertação das colónias portuguesas, Agostinho Neto, Amilcar Cabral e outros intelectuais oriundos dos territórios portugueses do continente, fundaram na capital portuguesa, Lisboa, o centro de Estudos Africanos com finalidades culturais e políticas orientadas na afirmação da nacionalismo africano.
 
Sublinhou que, decidido a formar-se como médico para ajudar o povo angolano, Agostinho Neto parte para Portugal em 1947 com a idade de 25 anos para iniciar a sua formação académica na faculdade de medicina da Universidade de Coimbra, e mais tarde em Lisboa, onde vai se envolveu nas actividades políticas.
 
Estas acções o levam sucessivamente a primeira cadeia de três meses em 1951 e numa outra segunda de 10 meses em 1952, um pouco antes da condenação de 18 meses de prisão.
 
 Nesta ultima condenação chama atenção da Amnistia Internacional que declara Neto de prisioneiro político e clama para sua libertação a mesma que vai acontecer em 1957.
 
Atingindo o seu primeiro objectivo caracterizado com o termino dos seus estudos da medicina em 1958, Neto casa com Maria Eugenia e se consagra mais tempo nas actividades políticas que vão culminar com a fundação do Movimento Clandestino Anticolonial (MAC).
 
No seu seio vão se encontrar numerosas figuras patriotas oriundos das diversas colónias portuguesas para encadearem em conjunto entre as cinco colónias de África, ( Angola, Cabo-Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), acções revolucionárias para anunciarem a nova era política nesta parte do mundo.
 
Já de regresso em Angola, Neto não se dedicou unicamente a tratar da saúde dos seus compatriotas. Do seu consultório saíram várias mensagens anti colonialistas à favor da libertação do povo angolano.
 
O seu encarceramento pela PIDE constituiu uma grande manifestação popular e da solidariedade internacional reclamando a sua soltura da cadeia.
 
“A sua participação na luta da libertação não foi unicamente no campo político-militar mas também no campo literário, através das suas poesias, em especial a Sagrada Esperança, onde se encontram concentradas todas as suas preocupações em relação
a libertação do povo angolano do jugo colonial português”, afirmou Juan Nusa.
 
Por seu turno, o político cubano e membro do Comité Central do Partido Comunista de Cuba, Jorge Risquet Valdés, a preocupação maior de Agostinho Neto sempre foi de ser médico para ajudar o povo angolano; outros mais virados iluminados se resumiam em independência do seu país, Angola.
 
A participação de Agostinho Neto em várias associações culturais e políticas em Portugal juntamente com os colegas de Cabo Verde, da Guiné Bissau, de Moçambique, traduzem a sua determinação de libertar do regime fascista colonial português não só Angola, mas também as outras colónias portuguesas de África.
 
Em relação a vida poética de Agostinho Neto, para o político cubano que viveu muito mais tempo com o revolucionário António Agostinho Neto, considerou sempre o ex- primeiro estadista angolano, como o mais completo e mais alto em relação ao outro
grande poeta e ex-estadista senegalês, Léopold Senghor, uma vez que a sua obra além da poesia, também trata da luta da libertação dos povos em geral.
 
 “O antigo presidente senegalês foi muito bom e grande escritor que se dedicou-se apenas na literatura”, disse Jorge Risquet.
 
Assistiram a jornada, entre outros convidados, membros das missões diplomáticas e organizações internacionais acreditados em Cuba, membros da União dos escritores cubanos e outros intelectuais que encheram a sala de reuniões da Casa de África
em Havana.





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