Luanda - O escritor angolano João Miranda dedicou a sua obra literária “Hebo”, apresentada nesta quinta-feira, em Luanda, ao ex-medianeiro da paz em Angola e representante especial do secretário-geral da ONU no país, Allioune Blondin Beye, já falecido.
Tal reconhecimento deveu-se ao facto desta figura ter trabalhado bastante para que a paz fosse uma realidade em Angola e o bem-estar da sua população, que não chegou a testemunhar.
Com muitos aplausos, por parte dos presentes na cerimónia de lançamento do seu romance, o reconhecimento do escritor foi testemunhado pela sua esposa, Beye Kadi, que se encontra em Angola por alguns dias, em visita privada, tendo agradecido o gesto com muita emoção.
O escritor dedicou, de igual modo, esta obra aos profissionais da Televisão Pública de Angola e da Rádio Nacional de Angola, que mesmo com muitas dificuldades, isto depois do termino da guerra, trabalharam incansavelmente na reunificação das famílias desavindas, através dos seus programas “ reencontro da família”.
Dedicou ainda a mesma obra a sua família, que muito contribuíram para a implementação da obra, com 198 páginas.
“Hebo”, romance de João Miranda, conta o percurso de 33 anos de uma família recheado de histórias “mais ou menos semelhantes”, cuja soma configura a relatada sobre a guerra civil de Angola, que está por escrever.
O romance, segundo João Miranda, visa contribuir o necessário para o ensino aos mais jovens de hoje e dos que virão, o que é o sublime valor do ideal da paz.
Tal como descreve numa das primeiras páginas do seu romance, a narrativa reporta-se a situações mais ou menos conhecidas de todos nós, contadas por certas testemunhas oculares e por alguns dos seus actores, contadas por certas testemunhas oculares e por alguns dos seus actores, passivos e activos.
De acordo com o autor, eles fizeram jus ao lapidar ensinamento de Edmund Burke, para quem “os povos não olham para trás, para os seus antepassados, não serão capazes de olhar para a frente, para a posteridade”.
Assistiram a apresentação da obra, políticos, deputados à Assembleia Nacional, governantes, corpo diplomático acreditado em Angola, a esposa do falecido representante especial do secretário geral da ONU em Angola, Alioune Blondin Beye, Beye Kadi, assim como famílias e amigos.
João Miranda é autor da obra “Nambuangongo” (1998) e “Pathelo-a-Kuma”, O Menino de Inteligente, lançado quadro anos depois da primeira estreia.
Membro fundador da União dos Jornalistas Angolanos (UJA), João Miranda é de igual modo membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), jurista, ex-ministro das Relações Exteriores e actual governador da província do Bengo.