Luanda – O secretário-geral da Brigada Jovens de Artistas Plásticos (BJAP), Fortunato Bangui, afirmou hoje, em Luanda, que a geração consagrada das “artes do belo” deviam dedicar-se cada vez mais no apoio e transmissão de experiências à nova vaga de criadores.
Fortunato Bangui, que falava hoje à Angop, disse notar um grande distanciamento entre as duas gerações, por culpa da primeira, que na maior parte das vezes não dá espaço ao sonho e expectativas dos jovens.
“Nós, por exemplo, já estamos há mais de cinco, sete ou oito anos sem efectuar exposições nos espaços da União Nacional dos Artistas Plásticos(UNAP), factor preocupante, pois nós, BJAP, somos filial desta agremiação”, asseverou.
Além desta questão da falta de colaboração dos criadores consagrados, apontou que a falta de um espaço onde possam sentar-se e encontrar algumas soluções estratégias tem sido uma preocupação constante.
“ A nova vaga das artes plásticas está aí, continua a criar, logo precisa ser apoiada, já que ela é continuadora do legado dos adultos”, asseverou.
Por sua vez, Don Sebas, artista plástico e membro da UNAP, é de opinião que os jovens devem continuar a lutar em prol da sua afirmação no mercado, como por exemplo, procurar os criadores já consagrados e obter deles experiências.
“ A nova vaga de criadores de artes plásticas não deve esperar que os adultos vão ao seu encontro, devem, sim, organizar-se cada vez mais e buscar soluções. Os mais velhos estão aí, devem apenas ser procurados”, focalizou.
Quanto à questão dos espaços da UNAP para exposição, Don Sebas disse que os mesmos igualmente aí estão, precisa-se somente que os jovens apresentem projectos bem delineados e os apresentem formalmente a esta agremiação.
Hoje, por exemplo, a era é das novas tecnologia, logo, alertou que os jovens devem aproveitar-se destes meios para fazer contactos e outras parcerias em prol da conquista do mundo artístico.
Já o secretário-geral da UNAP, Bastos Galiano, afirmou que a agremiação tem as portas abertas para os jovens, o que se passa em que os mesmos não se dirigem a mesma.
“Nós, cedemos a um tempo a esta parte um espaço para que eles trabalhassem, mas os mesmos foram alegando situações, como por exemplo, ausência de chaves, coisas que não tinham nada a ver. O espaço está aí disponível e os jovens da BJAP não vão lá ter”, sublinhou.
No entanto, Bastos Galiano aconselhou os jovens a ir a busca da experiência dos mais velhos, muitos dos quais artistas de grande relevância, de modo a puderem aprender deles.
A UNAP, concluiu, para ajudar quer os artistas com dificuldades de produzir quer a nova vaga, encomendou, este ano, no estrangeiro, material artístico, com o propósito de os distribuir aos referidos criadores, como uma forma de apoiar os artistas ávidos em desenvolver a sua arte.
Na nova vaga de criadores do “belo” filiados da BJAP despontam vários nomes como Fortunato Bangui, Camuto, Sozinho Lopes, Ventura e Landu Yetu.
BJAP tem cerca de 460 jovens inscritos, numa média de 300 de Luanda e os restantes das demais províncias do país.