Luena - O investigador da Cultura do Moxico e encenador, Salvador Cacoma, disse hoje, no Luena, haver uma "profunda perca" da valorização, promoção e conservação da Cultura do povo da região Leste nas manifestações e em eventos carnavalescos.
O encenador falava a propósito da importância do Entrudo justificou que a queda de tais valores aprofunda-se com o facto das comissões organizadoras pecarem no rigor da implementação dos regulamentos que regem o Carnaval.
Exemplificou que o facto mais real da desvalorização da Cultura é admissão do estilo Kuduro no Entrudo, que nada tem a ver com o maior evento cultural do país, pois o Carnaval é o mais alto momento reservado à exposição das culturas étnicas, onde a canção deve ter mensagem clara e educativa e o teatro retratar os factos de conteúdo de referência de uma cultura.
Salvador Cacoma é de opinião que o júri do Carnaval deve ser mais exigente nos critérios de selecção dos grupos, a coreografia, a capacidade de organização, a canção e o teatro, aliada às questões que retratam, por exemplo, a essência das línguas nacionais e da cultura Cokwe, Luvale, Bunda, entre outros.
Este exercício vai facilitar que além dos fazedores de Carnaval saberem um pouco mais sobre tais etnias, através da investigação, ao transmitirem a mensagem, ensinarão os mais novos a saberem das suas origens e da importância de ter uma identidade, entre outros.
Para o especialista, a decadência dos valores culturais da região deve-se muito pela culpa dos jovens fazedores de Cultura que excluem os mais velhos dos eventos preparatórios do Carnaval por considerarem-lhos ultrapassados, o que na sua opinião tal atitude "é errada".
Fazendo uma comparação do Carnaval antes e pós independência, o investigador disse notar muita diferença.
"O Entrudo da era colonial festejava-se apenas pela administração portuguesa, com alguns cristãos muito restritos da Igreja Católica, mas após a independência, o primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, declarou o Carnaval de rua que, até finais da década de 90 era dançado por todos, nos bairros, musseques e cidades", disse.