Lobito - O músico angolano Fernando Lucas da Silva "Robertinho" afirmou hoje, sábado, no Lobito, província de Benguela que, o despontar de vários artistas está a favorecer a qualidade da música angolana e a contrapor a estrangeira.
Em declarações a Angop, Robertinho afirmou ter havido uma reviravolta na música angolana em relação a aceitação (consumo)
no mercado nacional e mesmo além fronteira, fruto da concorrência para qualidade que os artistas enfrentam.
Na sua analise, actualmente os amantes da música preferem consumir o produto nacional, ao contrario do que se registava nas
décadas de 1970 e 1980 em que nas discotecas, bailes ou farras se ouvia apenas músicas cabo-verdiana, das Antilhas e do Zaire (República Democrática do Congo).
Robertinho, dono da música "Caquinhentos", afirmou que em tempos idos os fazedores da arte musical só se faziam sentir nas
grandes cidades como Luanda, Lobito, Benguela.
Hoje, de acordo com o artista, os fazedores da música são encontrados nos quimbos ou aldeias mais longínquos " e isto obriga que quem quer cantar ou publicar a sua obra é obrigado a faze-lo de forma cuidadosa sob pena de não ter aceitação no mercado.
Robertinho afirmou gostar todo estilo de música desde que o artista que a faz cumpra ou respeite o público consumidor, as
instituições e privacidade das pessoas.
Falando do estilo do " Kuduro", Robertinho disse que é um produto nacional que surgiu para engrandecer a cultura angolana.
"É aquilo que digo tudo que é bem feito e que a sua essência visa o amor a pátria, o próximo, as instituições deve merecer elogios,
pois veio para enriquecer a cultura", realçou.
Ao falar de si próprio, Robertinho fez saber que ele pertence a uma geração que surgiu no momento mais difícil da história do país, tendo apontado a guerra como o grande obstáculo que impediu vários jovens atingir patamares altos na música.
"Eu despontei na música no tempo em que era quase impossível pensar em gravar um disco. Todos angolanos tinham dificuldades
devido a guerra, cada um por si e Deus para todos", disse Robertinho.
Actualmente de acordo com o músico, já é possível pensar em patrocínios, pois a estabilidade política e económica está a fazer
com que muitos empresários interessados na arte "olhem" para os músicos.
Robertinho, que está no Lobito (Benguela) para animar o caldo do Camutangre, que tem lugar neste domingo no Clube do Atlético, no
quadro das festividade dos 97 anos da cidade ferroportuaria, garantiu que tudo está a fazer para o seu disco entre no mercado em 2011.