Luanda – Num ambiente de muitas luzes, cor e andança de ribalta (Palanca Negra) à ribalta (Welwitshia), os espectadores de ideologia e gostos rítmicos diferentes uniram-se na noite desta sexta-feira, em Luanda, para assistirem e ouvir as grandes vozes que participam na 2ª edição do Luanda Internacional Jazz Festival, a mistura das tradições musicais, em particular da afro-americano.
O espectáculo denominado “Luanda Merece” que já vai na sua segunda edição congregou centena de artistas, agentes culturais e amantes do estilo que procuravam o desanuviar da vida e o crepitar artístico do que se tocava e cantava naquele meio.
Houve quem esteve em posse de um cigarro para acalentar a noite fria de 28 e 19 graus celsius.
O propósito era o mesmo, independentemente das classes em que se celebrava o show ou se comercializavam os produtos.
Bailar! Os primeiros saltos despontaram assim que Felipe Mukenga e Wizza (angolanos) tomaram as rédeas do deslumbrado concerto, por volta das 19h30.
Honra que levou o artista a demonstrar a sua dupla felicidade por ser, entre os vários participantes, o primeiro a dar a graça da sua voz e peculiaridade.
“Estou feliz por estar com vocês. Espero que continuem a enviar todo o entusiasmo, alegria e ternura para que os músicos dêem o melhor de si”, apelou Felipe Mukenga.
Curiosamente, ao fazer a apresentação da sua banda, o músico esqueceu de um dos integrantes do grupo, mas num olhar atento o publicou lembrou que faltava um componente a ser contado, o guitarista da guitarra de quatro cordas chamado Frede.
“O clarão encandeou-me e não o avistei”, desculpou-se e de seguida ofereceu o seu repertório de cânticos como “Weza (Voltei Feliz) “, “Um baile no marçal”, “kinda kia kuzambula”, “Ngana”, “Dikixi”, “Sou pastor (Nangobe)”, “Uixi uami”, “Muzumbi”, “Whelmina”.
O processo continuou, assim que Wizza subiu às 20h30 no palco acompanhado de uma banda brasileira e "transpirou", entre outros, o Kilapanga de “África Yaya” e Bacongo”, que mereceram os aplausos brotados das mãos fortes do auditório, como respostas do agradável som que o mesmo proporcionava aos apaixonados do estilo que se desenvolveu no início do século XX.
A noitada adentro do Cine Atlântico avivava qualquer um que ali estava. Angolanos e moçambicanos trocavam afáveis abraços.
Outros dançavam a um ritmo frenético.
Ás 21h30 deu lugar a Oliver Mtukudz, zimbabueano de nacionalidade e 340ml, esta ultima banda de Moçambique que presenteou a assistência interpretando uma canção com o Conjunto de Rap angolano Ngonguenha. Todavia a primeira vez dos moçambicanos foi confirmada com calorosos assobios do público.
“Num futuro bem próximo nós iremos fazer canções cantadas em português. Quanto a recepção está foi espectacular e boa, porque julgávamos que as nossas músicas eram pouco conhecidas e para o espanto os ouvintes cantaram-nas do princípio ao fim”, afirmou, um dos integrantes da banda, acrescentado que o show “está a Bater”.
A 2ª edição do Luanda Internacional Jazz Festival, que sexta-feira teve o seu início, tem como cabeça de cartaz o norte-americano Jorge Besson.
O evento reserva três noites de espectáculos até domingo, hoje será a vez dos artistas Jonas Gwangwa, Grabriel Tchiema, João Oliveira, Blick Bassy, Lenine e Lura.