Rio de Janeiro - Os membros de movimentos de trabalhadores rurais sem-terra decidiram desocupar as 20 fazendas invadidas na madrugada de segunda-feira, no Pontal do Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo, durante o chamado "Carnaval Vermelho".
O líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Junior, que liderou as acções dos manifestantes juntamente com outros movimentos sociais que lutam pela reforma agrária, disse que a decisão foi um "gesto de boa vontade" para que seja retomado o diálogo com as autoridades do Estado.
A acção dos movimentos na região tinha como objectivo "pressionar o governo a aumentar a arrecadação de áreas destinadas ao assentamento de famílias no Pontal do Paranapanema e acelerar o processo de reforma agrária", segundo a edição "on-line" do jornal O Globo.
Rainha informou que vai pedir uma reunião com o ministro do Desenvolvimento Agrário brasileiro, Guilherme Cassel, e com o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbartm.
Por sua vez, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou as invasões dos movimentos durante o Carnaval, afirmando que "extrapolam os limites da legalidade".
"Os movimentos sociais devem ter toda a liberdade para agir, manifestar, protestar, mas respeitando sempre o direito de outrem. É fundamental que não haja invasão da propriedade privada ou pública", disse Mendes.
Rainha, entretanto, rebateu as críticas de Gilmar Mendes ao considerar que a invasão não foi um crime.
"Nós estamos lutando pela dignidade humana e o ministro não pode nos dar tratamento diferenciado ao que deu, por exemplo, a Daniel Dantas", afirmou, referindo-se ao dono do banco Opportunity, acusado de corrupção e preso durante a operação Satiagraha da Polícia Federal em 2008.
"Não se pode deixar os ricos sempre a favor da lei e condenar os pobres por se valerem de lutas", acrescentou, defendendo que sejam monitorizadas as transferências de recursos para as Prefeituras e órgãos encarregados da reforma agrária.
A União Democrática Ruralista (UDR), contrária à actuação dos movimentos sem-terra, já informou ter entrado com um pedido de prisão de José Rainha e Sérgio Pantaleão, outro líder das invasões.