Beirute - O presidente da Síria, Bashar al-Assad, declarou nesta terça-feira que seu país está em guerra e determinou que seu governo não poupe esforços para a vitória, enquanto os combates, os piores em 16 meses de conflito, já chegam à periferia da capital.
Um vídeo divulgado por ativistas mostrou tiroteios e explosões em subúrbios de Damasco. Um rastro de sangue numa calçada no bairro de Qudsiya levava a um prédio de onde uma vítima foi retirada. Um homem nu se contorcia de dor, com o corpo perfurado por estilhaços.
A agência estatal de notícias Sana afirmou que "grupos terroristas armados" bloquearam a estrada velha que liga Damasco e Beirute.
A declaração de que a Síria está em guerra representa uma mudança na retórica de Assad, que durante meses minimizou a rebelião contra si como sendo obra de militantes isolados, financiados pelo exterior.
"Vivemos em um real estado de guerra por todos os ângulos", disse Assad, com transmissão pela TV, ao novo gabinete formado por ele nesta terça-feira. "Quando estamos em uma guerra, todas as políticas e todos os lados e todos os setores precisam ser direcionados para vencer essa guerra."
O caótico discurso, no qual Assad também comentou temas como o uso da energia renovável, deixou pouco espaço para a conciliação. Ele criticou o Ocidente, que "tira e nunca dá, e isso tem sido provado em todos os estágios".
A Organização das Nações Unidas (ONU) acusa as forças sírias de já terem morto mais de 10 mil pessoas desde o início do conflito, que começou como uma rebelião popular e evoluiu para uma insurgência armada.
O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que mais 115 pessoas foram mortas na Síria nesta terça-feira, um dos dias mais sangrentos do conflito. A cifra inclui 74 civis, sendo 28 em Qudsiya.
A entidade relatou intensos combates perto da sede da Guarda Republicana nesse subúrbio da capital e também nas localidades
de Al Hama e Mashrou'Dumar, que ficam a menos de dez quilômetros do centro de Damasco.
A Sana afirmou que dezenas de rebeldes foram mortos ou feridos, e que vários outros foram detidos durante os combates na estrada velha de Beirute. Forças do governo apreenderam lançadores de foguetes, rifles, metralhadoras e muita munição, disse a agência.
Os relatos feitos pelo governo e pela oposição não podem ser verificados de forma independente por causa de restrições do governo ao trabalho da imprensa.
No campo diplomático, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, alertou Assad para tomar cuidado com a ira da Turquia, depois de forças sírias terem abatido na sexta-feira um caça turco na costa do Mediterrâneo. Erdogan determinou que as forças do seu país reajam a qualquer nova ameaça síria na região da fronteira.