Rio de Janeiro - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta quinta-feira que "não há sinais formais" de que seu país tenha intenções de desenvolver armas nucleares, enquanto culpou a "intervenção do Ocidente" pela crise na Síria.
"Nós pensamos que ninguém deve ter armas nucleares. Sempre anunciamos que não queríamos ter a bomba atômica e não há nenhum sinal formal de que a queremos", disse o presidente em coletiva de imprensa paralelamente à Rio+20.
"Mas aqueles que nos acusam (Israel) de querer a bomba têm 250.000 mísseis nucleares. Os sionistas, ocupantes da região da Palestina, anunciam que têm a bomba atômica e ameaçam outros países da região", disse.
EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha pedem ao Irão que reduza significativamente o nível actual de sua capacidade de enriquecimento de urânio, actualmente em 20%. O Irão insiste que este é um direito "absoluto" e que seu programa nuclear é pacífico.
Questionado sobre se Teerão tomará acções militares caso a Síria seja invadida, disse: "o problema na região é a intervenção do Ocidente".
"Para atingir este domínio, estão nos colocando uns contra os outros. Eles são responsáveis pela morte da população síria.
Acreditamos que o governo sírio e a oposição devem chegar a uma solução através do diálogo e do consenso", disse Ahmadinejad.
Ambas as questões- programa nuclear iraniano e a situação na Síria - foram abordadas por Ahmadinejad e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma reunião nesta quinta-feira no Rio, disse um porta-voz da organização multilateral.
Teerão, que negocia com as grandes potências seu programa nuclear, exige o fim das sanções como condição prévia a qualquer compromisso, e pede para ser concedido o direito de enriquecer seu próprio urânio.