Damasco - Dois atentados com carro-bomba atingiram sexta-feira Alepo, a segunda maior cidade da Síria, coincidindo com a entrada de carros de combate na região de Homs, devastada após uma semana de intensos bombardeios, uma violência que custou sexta-feira a vida de 72 pessoas em todo o país.
Segundo as autoridades, os atentados de Alepo (norte) deixaram 28 mortos e 235 feridos.
Além do duplo atentado em Alepo, a violência na Síria deixou outros 44 mortos sexta-feira, entre eles 28 civis mortos pelas forças de segurança, principalmente em Homs (centro) e Alepo, assim como nove soldados e sete desertores em confrontos em todo o país, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
O governo sírio atribuiu os atentados de Alepo, os primeiros desse tipo registados na cidade, pulmão económico do país, a "grupos terroristas" os quais acusa de provocar, desde meados de Março passado, a revolta contra o presidente Bashar al Assad.
A oposição, no entanto, responsabilizou o governo pelos atentados, acusando-os de querer, dessa forma, desviar a atenção da repressão realizada em Homs.
Estes atentados ocorreram no momento em que os sírios começavam a se concentrar em diversas cidades para protestar contra o veto da Rússia e da China no último sábado a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU de condenação à repressão na Síria, que deixou ao menos seis mil mortos desde o início da revolta, segundo militantes.
Ocorreram manifestações em Hama (centro), Idleb (noroeste), Damasco e em certos bairros de Homs, declarou à AFP Ramí Abdel Rahman, chefe da OSDH, com sede na Grã -Bretanha.
Essas manifestações, que ocorrem a cada sexta-feira, tiveram menos afluência que as anteriores "pela mobilização massiva" de tropas e forças de segurança para evitar os protestos, afirmou Rahman.
Ocidentais e russos realizam uma disputa sobre a Síria, com os primeiros denunciando os "massacres" do regime e com os segundos mantendo seu apoio a Damasco.
A Liga Árabe vai reunir-se domingo no Cairo para abordar a situação na Síria.