Kiev - Um frio glacial acompanhado de fortes nevascas e rajadas de vento persistia nesta quarta-feira na Europa, deixando mais de 480 mortos em apenas duas semanas, a maioria no leste do continente, causando perturbações na Itália e na região dos Balcãs.
O país mais afectado até o momento é a Ucrânia, onde mais de 136 pessoas morreram até terça-feira, sendo 112 mortes causadas directamente pelo frio. O sul do país está praticamente paralisado devido às nevascas, que bloquearam estradas.
Na Polónia, o número de mortos por hipotermia já chega a 74, com mais cinco em apenas 24 horas, informou a polícia. E é preciso somar cerca de 50 pessoas mortas devido a aquecedores defeituosos, que provocaram asfixia por monóxido de carbono e vários incêndios.
O frio já deixou 24 mortos na República Checa, 23 na Lituânia, 10 na Letónia, três na Eslováquia e um na Estónia.
Já a Rússia contabiliza desde o início de 2012 pelo menos 110 mortes de adultos em decorrência do frio, sendo 46 no mês de Fevereiro, informou nesta quarta-feira o Ministério russo da Saúde.
"Até hoje, 110 adultos morreram" de frio desde 1 de Janeiro, disse o porta-voz do ministério, Konstantin Prochine, citado pela AFP, acrescentando que eventuais vítimas de menos de 18 anos não estão incluídas no registo devido à total falta de estatísticas.
A temperatura caiu para 24 graus centígrados abaixo de zero na madrugada desta
quarta-feira em Moscovo, e se aproximava dos 34 graus abaixo de zero na Iakútia, na Sibéria Oriental. Em toda a região de Krasnodar, às margens do Mar Negro, as escolas foram fechadas por causa do frio intenso.
A Bulgária também sofre muito com as nevascas, que paralisaram todos os transportes no nordeste e no leste do país, enquanto no sul o trânsito continuava suspenso após as inundações de segunda-feira, que deixaram oito mortos.
Em diversas localidades do país, a situação era caótica, com testemunhos de motoristas presos na neve sem combustível e de aldeias inteiras isoladas sem comida ou electricidade.
Postos na fronteira da Bulgária com a Turquia e a Roménia precisaram ser fechados, assim como os grandes portos búlgaros no mar Negro, em Varna e Burgas. As autoridades decidiram que as escolas permanecerão fechadas até nova ordem, diante da previsão de novas nevascas.
Na parte mais ocidental, a Itália é o país mais afectado pelas nevascas, e desde 1 de Fevereiro o número de mortos chega a 40.
Na Sérvia, Croácia, Bósnia, Macedónia e Montenegro pelo menos 70 mil pessoas estão há dias isoladas em aldeias recônditas devido ao fechamento das estradas pelo excesso da neve.
O encerramento do tráfego fluvial pelo rio Danúbio nesta quarta-feira, diante do congelamento de centenas de quilómetros, também provocou enormes transtornos na região.
Na Bósnia, onde as temperaturas caíram a 20 graus centígrados abaixo de zero, mais de 15 mil pessoas na região de Mostar (no sul do país) estavam nesta quarta-feira sem energia eléctrica.
Três pessoas morreram por hipotermia na Roménia nas últimas 24 horas, elevando a 41 o total desde 24 de Janeiro. Todo o sul da Roménia se mantém em estado de alerta diante da previsão de novas nevascas.
Enquanto isso, na Hungria o número de vítimas por hipotermia chegou a 16 com a morte de três pessoas na terça-feira, de acordo com os serviços de emergência.
Nos outros países da região, nesta quarta-feira o cenário era parecido. Na Áustria, a morte de um aposentado de 70 anos elevou o saldo de vítimas fatais a cinco desde a chegada da onda de frio.
O número de mortos na Alemanha permanece em quatro, mas as autoridades alertaram a população diante da previsão de novas tempestades de neve. O tráfego fluvial no rio Meno foi suspenso.
As autoridades francesas informaram que o número de mortos chegou a cinco, com a morte de quatro pessoas por intoxicação por monóxido de carbono.
Genebra, na Suíça, seguia tentando resolver o caos do tráfego provocado pela ruptura de um enorme cano de drenagem devido ao excesso de gelo.