São Paulo - A presidente do Brasil afirmou hoje, na cerimónia de posse da ministra para as políticas para as mulheres, que Eleonora Menicucci vai continuar a «respeitar os seus ideais, mas a actuar de acordo com as directrizes do governo».
O discurso de Dilma Rousseff surge depois da polémica desta semana em que o jornal Folha de São Paulo publicou, na segunda-feira, uma entrevista com Menicucci, em que a ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres dizia defender o aborto.
A interrupção voluntária da gravidez só é permitida no Brasil em casos de violação ou risco de vida para a mãe.
Em conferência de imprensa, também na segunda-feira, Menicucci declarou que o aborto é «uma questão de saúde pública», mas que a decisão sobre a alteração da lei depende do poder legislativo e não da ministra.
«A minha posição pessoal está em todos os jornais, nas entrevistas que dei. Não seria eu, se não reafirmasse o que disse anteriormente. Mas como estou no governo, a minha posição hoje é a do governo», explicou
Na cerimónia de posse, a ministra-chefe não abordou a questão.
O deputado Eduardo Cunha, da bancada evangélica do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, que apoia o governo) do Rio de Janeiro, afirmou pela rede social Twitter ser "lamentável e uma afronta" a escolha de uma defensora do aborto para chefiar a Secretaria de Políticas para as Mulheres.
Socióloga e professora universitária, Menicucci foi nomeada depois de a antiga Secretária Iriny Lopes ter apresentado a demissão para se candidatar às eleições regionais de Vitória, no Espírito Santo (sudeste do país).