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09-02-2012 18:37

Síria
Bloqueio diplomático reforça opção militar da oposição

Beirute - O bloqueio diplomático após os vetos russo e chinês na ONU de uma condenação à repressão na Síria abre a porta para a militarização do movimento de contestação e vozes internas e estrangeiras que pedem o armamento da oposição se multiplicam, segundo analistas.


              
"As soluções diplomáticas para a crise síria esgotaram-se e as opções militares são seriamente consideradas actualmente", ressalta Shadi Hamid, director de pesquisas do Brookings Doha Center.


              
"Existem hoje discussões sobre zonas de segurança, zonas de amortecimento e corredores humanitários", explicou, lembrando que "é isto o que a oposição síria pede".


              
A visita na terça-feira a Damasco do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, não trouxe progressos tangíveis para resolver a crise na Síria, onde, em 11 meses de violência, 6 mil pessoas morreram, de acordo com os militantes.


              
Dessa forma, as forças governamentais sírias prosseguem com as suas operações de grande escala nas regiões rebeldes, principalmente em Homs (centro), maior reduto de contestação.


              
O veto ao Conselho de Segurança é "o melhor caminho para mobilizar o Exército Sírio Livre (ESL, força armada da oposição liderada por um coronel desertor) que viu a sua posição reforçada", acredita Hamid.


              
"Muitos sírios dizem que 'tentaram se manifestar pacificamente e isso não deu resultado' e que eles precisam 'se defender diante da violência do regime'", explicou.


              
Mas, o bloqueio na ONU não impede um apoio externo à oposição síria, acredita Hilal Khashan, professor de Ciências Políticas na Universidade Americana de Beirute (AUB).


              
Sem passar pelo Conselho de Segurança, "o ocidente dispõem de muitas opções para enfraquecer o regime, principalmente apoiando a ESL e impondo sanções económicas".

              
"A transição política não será pacífica, ela vai acontecer por meio de uma revolta violenta", estima o cientista político Imad Salameh.


              
"O que pode ser feito no plano internacional para fazer com que este processo aconteça rapidamente", acrescenta o professor da AUB, é "um bloqueio económico, político e militar" do regime.


              
Depois do veto, o Conselho Nacional Sírio (CNS) e o ESL pediram que os empresários sírios e de outros países árabes "participem de maneira directa e eficaz no financiamento legítimo das operações de autodefesa e protecção das zonas civis realizadas pelo ESL".


              
O CNS é a principal formação da oposição, enquanto o ESL reivindica cerca de 40 mil combatentes e realiza operações contra as forças do regime sírio.


              
Em Washington, o senador republicano John McCain pediu que seja considerada a possibilidade de armar a oposição síria.


              
Mas o ESL precisará de muito mais para derrubar o regime, acredita Shadi Hamid: "É preciso que isso seja acompanhado de medidas suplementares, como um apoio aéreo ou outro meio de intervenção militar fora do quadro do Conselho de Segurança, como fizeram no caso da intervenção da OTAN no Kosovo", em 1999.


              
A repressão pode nos próximos dias se intensificar, dizem os analistas. "A questão síria ainda não chegou ao ponto mais extremo, a violência vai aumentar assim como o número de mortos, mas tudo será decidido neste ano, e não durante anos como algumas pessoas pensam", assegura Hilal Khashan.


              
Para Imad Salamah, "a instituição militar é o que resta do regime. Eu acredito que a pressão popular na Síria e a pressão internacional vão provocar o afundamento desta instituição".






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