Luanda - A imprensa internacional destacou na semana que hoje termina, entre outros assuntos, as mortes por frio na Europa Oriental, o isolamento de milhares de pessoas devido a chuvas diluvianas na Austrália, e a tensão no Médio oriente.
A onda de frio polar que castiga a Europa nos últimos dias provocou a morte de pelo menos 220 pessoas até sexta-feira, na sua maioria pobres e sem domicílio fixo, principalmente na parte oriental do continente, onde só a Polónia e a Ucrânia registaram um total de 138 mortos.
Do outro lado do mundo, na Oceania, milhares de australianos encontram-se presos nas suas casas, no leste do país, por causa das inundações que deixaram várias comunidades acessíveis apenas através de helicóptero.
Pelo menos 10 mil pessoas ficaram isoladas e outras 4.000 foram retiradas em Nova Gales do Sul, principalmente em Moree e outras cidades do nordeste do estado, onde as autoridades declararam o estado de emergência.
"A cidade de Moree está inundada. O norte de Moree está inacessível e muitas casas então inundadas", disse o primeiro-ministro da Nova Gales do Sul.
"Quando sobrevoamos o centro, vemos que algumas ruas parecem canais. Elas estariam mais bem colocadas em Veneza do que no norte da Nova Gales do Sul", ironizou.
Ainda na Oceania, uma embarcação com mais de 300 pessoas a bordo naufragou na Papua Nova Guiné na quinta-feira e segundo a Autoridade Marítima Australiana, que coordena os trabalhos de emergência, 219 sobreviventes foram resgatados.
Entretanto, até hoje, sábado, mais de 100 pessoas estavam desaparecidas e as equipas de resgate enfrentam fortes ventos e grandes ondas, segundo o capitão Nurur Rahman, que coordena os trabalhos.
O Médio Oriente voltou a ser destaque nos noticiários da comunicação social internacional, devido, principalmente, a crise síria, o Irão e o périplo pela região empreendida pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.
Na terça-feira, as potências ocidentais e a Liga Árabe pediram uma acção imediata da ONU para deter a "máquina mortífera" do governante sírio Bashar al Assad, mas a Rússia, que tem direito a veto no Conselho de Segurança, recusou-se a dar seu apoio.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, liderou a investida ocidental na reunião em Nova Iorque, apoiada pela liderança da Liga Árabe e pelos ministros dos Negócios Estrangeiros britânico e francês.
"A pergunta que nos fazemos é quantos civis inocentes morrerão antes que o país seja capaz de avançar para o tipo de futuro que merece", questionou Hillary Clinton.
O primeiro-ministro do Qatar, Hamed ben Jassem al-Thani, falou em nome da Liga Árabe para pedir que a ONU detivesse a "máquina mortífera" de Al-Assad.
O projecto de resolução da ONU, assinado pelas potências ocidentais e pela Liga Árabe, procura fazer Assad entregar o poder e acabar com a repressão que deixou mais de 5.400 mortos nos últimos dez meses, segundo grupos de defesa dos direitos humanos.
Mas a Rússia, aliada da Síria e com direito de veto no Conselho de Segurança, reiterou a sua oposição e afirmou que a ONU não deve se intrometer no conflito "interno" sírio.
"Possivelmente há uma última possibilidade de romper a espiral da violência que arrasa a Síria e o seu povo", afirmou Vitaly Churkin, completando que o Conselho de Segurança da ONU "não pode impor parâmetros para um acordo interno. Simplesmente não tem o mandato para fazê-lo".
Em viagem ao Médio Oriente, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou que a violência na Síria é uma "ameaça à paz" e disse esperar que a reunião de Nova Iorque dê "logo frutos".
Diante da oposição da Rússia a uma enérgica resolução sobre a Síria, Hillary Clinton disse que irá à ONU na terça-feira para "enviar uma clara mensagem de apoio ao povo sírio: estamos com vocês".
Entretanto, o director da CIA, David Petraeus, afirmou que a queda de Bashar el-Assad representará um revés considerável para o Irão", explicou. "É por isso que a Guarda Revolucionária (iraniana) apoia tanto” o líder sírio.
Na Espanha, o Tribunal Supremo rejeitou anular o julgamento contra o juiz Baltasar Garzón, acusado de ter incumprido uma lei de amnistia por investigar os crimes da ditadura franquista.
"Os actos não têm entidade material suficiente para justificar a anulação das instruções", afirmou a secretária da sala durante a leitura da decisão do tribunal. A promotoria e a defesa de Garzón haviam solicitado o arquivamento do caso na abertura do processo, semana passada.
Ainda durante a semana, nos EUA, Miami, o milionário Mitt Romney obteve na terça-feira nas eleições primária da Flórida, uma sólida vantagem sobre o conservador Newt Gingrich, o que volta a colocá-lo como favorito a candidatura pelo partido republicano para enfrentar Barack Obama em Novembro.
Romney confirmou as previsões das pesquisas de uma vantagem de pelo menos 15 pontos sobre Gingrich , segundo projecções das emissoras de televisão americanas considerando 74 por cento dos votos apurados.
Esta é a segunda vitória de Romney depois de ganhar em meados do mês em New Hampshire nas primárias que começaram em 3 de Janeiro em Iowa, vencidas então pelo ex-senador conservador Rick Santorum , terceiro nas pesquisas.
Por sua vez, Gingrich venceu a primária realizada na Carolina do Sul, em 21 de Janeiro. O representante do Texas, Ron Paul, mantém-se no quarto posto.
De visita à Cuba, a presidente brasileira Dilma Rousseff disse em Havana, terça-feira, que não se pode tratar de direitos humanos como ferramenta ideológica para criticar apenas certos países.
Para Dilma Rousseff os desrespeitos aos direitos humanos ocorrem em todas as nações e citou como exemplo os denunciados na base americana de Guantánamo.
"Não podemos achar que direitos humanos é uma pedra que você joga só de um lado para o outro. Ela serve para nós também."
A visita da presidente ocorre 11 dias depois da morte do opositor cubano Wilman Villar, em consequência de uma greve de fome, pela qual protestava por ter sido condenado a quatro anos de prisão.