Teerão - As Forças Armadas do Irão testaram neste domingo um míssil de alcance médio terra-ar durante importantes manobras navais que o país executa no estratégico Estreito de Ormuz, horas depois de o presidente americano Barack Obama ter assinado no sábado uma lei que endurece as sanções contra Teerão por seu programa nuclear.
“Este míssil de alcance médio terra-ar está equipado com a mais moderna tecnologia de combate contra alvos com capacidade para
evitar radares e sistemas inteligentes que tentam interferir na navegação dos mísseis”, declarou o comodoro Mahmud Mussavi.
Este foi o primeiro teste com este tipo de míssil, projectado e fabricado no Irão, segundo o militar.
Mussavi não informou se o míssil foi disparado a partir de um navio ou da terra.
As manobras navais, iniciadas em 24 de dezembro, acontecem ao redor do Estreito de Ormuz.
O Irão ameaçou fechar esta via estratégica para o abastecimento de petróleo, por donde transita entre um terço e 40% do tráfego
marítimo petrolífero mundial, em caso de novas sanções contra as exportações de combustível do país.
Os exercícios militares acabarão na segunda-feira com uma manobra destinada a comprovar a capacidade das forças navais
de fechar o Estreito, segundo o comodoro Mussavi.
“A partir de amanhã (segunda-feira), a maioria de nossas unidades navais - de superfície, submarinas e aéreas - vão posicionar-se
segundo uma nova disposição táctica destinada a impossibilitar a passagem de qualquer navio pelo Estreito de Ormuz se a
República Islâmica assim decidir”, completou o militar.
A exibição de força acontece no momento em que os Estados Unidos e os países ocidentais aumentam a pressão sobre o Irão
por seu polémico programa nuclear.
No sábado, o presidente dos Estados Unidos promulgou uma lei de financiamento do Pentágono que reforça as sanções contra o
sector financeiro do Irão.
Segundo a Casa Branca, as medidas, que visam a castigar a República Islâmica por seu programa nuclear, foram incluídas em
uma proposta de lei de defesa de 662 biliões de dólares, que foi assinada por Obama, apesar de suas “fortes reservas” a respeito
de medidas que limitam sua margem de manobra em termos de prisão de suspeitos de terrorismo.
As companhias estrangeiras deverão escolher entre fazer negócios com o banco central e o sector financeiro e petrolífero do Irão ou com os Estados Unidos.
Os bancos centrais estrangeiros que negociam com o BC iraniano em transacções de petróleo poderão enfrentar restrições similares
sob a nova lei.
Obama manifestou em um comunicado publicado ao promulgar a lei sua preocupação de que esta interfira em sua autoridade
constitucional para realizar negociações com governos estrangeiros, ao ver atada sua capacidade de manobra.
A proposta de lei, que foi aprovada por ampla maioria no Congresso, reserva um pequeno espaço de actuação para Obama, ao conceder a ele um prazo de 120 dias para denunciar o acordo.
Obama indicou, por outro lado, que promulgou a lei de financiamento do Pentágono, apesar de não concordar com artigos que “regulamentam a prisão, o interrogatório e a perseguição dos suspeitos de terrorismo”.
O texto impõe que as pessoas que sejam suspeitas de manter laços com a Al-Qaeda ou de participar em conspirações que
conduzam a atentados contra interesses americanos devem ser conduzidos ante a justiça militar, e não ante a justiça ordinária.
O presidente dispõe, de qualquer maneira, da faculdade de derrogar esta disposição.
Obama afirmou que assinou a lei devido à necessidade de financiar operações militares no exterior, vitais para a segurança nacional, mas precisou que a aplicará visando a “manter a flexibilidade necessária da segurança nacional e preservar os valores fundamentais do país”.
A lei dificultará ainda mais o encerramento da prisão da base de Guantánamo, que abriga há dez anos suspeitos de terrorismo, ao
prolongar uma disposição que proíbe utilizar fundos do Pentágono para construir prisões alternativas a esse centro instalado em território cubano.
O texto também proíbe o emprego de fundos públicos para transferir os presos de Guantánamo para os Estados Unidos, a fim
de obrigar a administração para que eles sejam julgados por tribunais militares e não civis.