Hong Kong - Líderes globais e empresários de destaque pediram nesta segunda-feira que a Europa tome novas medidas para resolver a crise de dívida e impedir o seu aprofundamento, com o FMI a advertir que o continente verá uma "espiral negativa de colapso de confiança" se não houver mais acção.
Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's baixou a nota de crédito de nove países da zona do euro. A medida agitava os mercados de acções nesta segunda-feira, por temores de que o bloco monetário possa se separar, desencadeando uma recessão global.
"Sem acção, a Europa será arrastada para uma espiral negativa de colapso de confiança, crescimento estagnado e menos emprego", disse David Lipton, primeiro vice-director-geral do FMI, durante o quinto Fórum Financeiro Asiático em Hong Kong.
Mas "com medidas decisivas na Europa e apoio global para a Europa, é possível evitar uma nova fase da crise", acrescentou.
Lipton pediu que os países de inflação menor interrompam o aperto monetário para impulsionar o crescimento económico, e disse que a Ásia deveria ter um papel maior no FMI.
Em outro grande revés no fim-de-semana, as negociações entre Atenas e seus credores privados terminaram sem acordo sobre uma troca de dívida, que é considerada crucial para evitar a bancarrota da Grécia, embora autoridades tenham dito que mais conversas devem acontecer nesta semana.
Se a Grécia não puder convencer os bancos e seguradoras a aceitar perdas voluntárias nos bónus que possuem, o segundo resgate internacional para o país irá se descarrilar, gerando a perspectiva de bancarrota no fim de Março, quando o governo grego precisa vender 14,4 biliões de euros em dívida.
Na ocasião de uma piora ainda maior na crise de dívida europeia, nenhum país ou região estaria imune, disse Lipton, acrescentando que a Ásia tem grande interesse em ver os problemas da Europa resolvidos.
Também falando no fórum, o ministro das Finanças britânico, George Osborne, aplaudiu o progresso feito pela zona do euro, embora tenha dito que mais acção é necessária.
"A zona do euro fez progresso nos últimos meses, em particular na provisão de liquidez aos bancos pelo BCE (Banco Central Europeu)", disse Osborne. "Mas claro que há mais a se fazer, como a própria área do euro reconhece."
Os líderes europeus reúnem-se em cimeira ainda este mês para discutir como incentivar o crescimento e o emprego.
Lipton disse que a melhor maneira de proceder de agora em diante é dar mais liquidez, tanto para bancos quanto para países, para gerir a crise, mais consolidação fiscal, com um ritmo prudente mas crível de ajuste, e mais crescimento para sustentar o ajuste.