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09-01-2012 18:43

Irão
Justiça condena americano à morte por espionagem

                  
Teerão - Um juiz iraniano sentenciou um americano de origem iraniana à morte por espionar para a CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos), noticiou a imprensa local nesta segunda-feira, exacerbando as tensões entre Washington e Teerão, já elevadas em virtude das sanções do Ocidente ao programa nuclear da República Islâmica.

 


Os Estados Unidos condenaram a decisão da justiça iraniana.

 


"Vimos informações da imprensa falando que o sr. Hekmati foi sentenciado à morte por um tribunal iraniano. Se for verdade, condenamos fortemente esse veredicto e trabalharemos com os nossos parceiros para repassar a nossa condenação ao governo iraniano", afirmou o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Tommy Vietor.

 


Amir Mirzai Hekmati, um ex-marine de 28 anos, nascido nos Estados Unidos numa família iraniana, foi "sentenciado à morte por cooperação com um país hostil, por pertencer à CIA e tentar implicar o Irão no terrorismo", sentenciou o juiz de Teerão, segundo as
agências de notícias Fars e Isna.

 


Hekmati tem 20 dias para apelar, disse o procurador-chefe, Gholam Hossein Mohseni Ejei, citado pela agência Isna, sem especificar quando a sentença foi proferida.

 


O acusado, detido meses antes, apareceu em meados de Dezembro na televisão estatal, afirmando em farsi e inglês fluentes que era um agente da CIA enviado para se infiltrar no Ministério de Inteligência iraniano.

 


Segundo as autoridades iranianas, o seu disfarce foi descoberto por agentes do país que o viram na base militar aérea Bagram, comandada pelos Estados Unidos, no vizinho Afeganistão.

 


Mas a família de Hekmati nos Estados Unidos disse à imprensa americana que ele viajou ao Irão para visitar as suas avós.

 


O seu pai, um professor do Estado americano do Michigan, disse que Hekmati não é um espião. Familiares afirmaram ter tentado, em vão, contratar advogados iranianos para ajudá-lo no lugar do indicado pelo governo.

 


Na sua única audiência, realizada em 27 de Dezembro, os procuradores meteram-se na "confissão" de Hekmati para afirmar que ele tentou invadir o ministério de Inteligência ao se apresentar como um ex-soldado americano desertor de posse de informações secretas, as quais estaria disposto a compartilhar.

 


Hekmati foi julgado como cidadão iraniano e não americano porque o Irão não reconhece a dupla nacionalidade.

 


Os Estados Unidos exigiram a libertação de Hekmati.

 


O Departamento de Estado afirmou que o Irão não permitiu aos diplomatas da embaixada suíça, encarregada dos interesses de Washington no país devido à falta de laços americanos-iranianos, ver Hekmati antes ou durante o seu julgamento.

 


A sentença de morte é proferida depois do caso de outros três americanos (uma mulher e dois homens), mantidos presos no Irão também acusados de espionagem, após caminharem, em 2009, ao longo da fronteira iraquiano-iraniana, sem identificação.

 


Os três acabaram por ser libertados, uma em 2010 e os outros dois em Setembro de 2011, apesar de terem sido condenados a oito anos de prisão.

 


O caso de Hekmati, no entanto, surge em um momento de aprofundamento das tensões entre Teerão e Washington devido às medidas americanas para atingir as exportações de petróleo iraniano, como parte de novas sanções a ser impostas devido ao seu controverso programa nuclear.

 


Analistas e algumas autoridades iranianas afirmam que a última ronda de sanções atingiu duramente a economia iraniana. Mas o líder supremo do país negou nesta segunda-feira as alegações de que a estratégia vá impedir Teerão de perseguir as suas metas.

 


"Autoridades ocidentais declararam em várias ocasiões que, com sanções e pressão, querem desencorajar que o povo e as suas autoridades levem os seus planos adiante", disse o aiatolá Ali Khamenei, em comentários divulgados pela televisão estatal.

 


"Mas estão equivocadas e não atingirão os seus objectivos", acrescentou.
   






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