Jerusalém - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Avigdor Lieberman, minimizou a importância dos contactos diplomáticos recém-restabelecidos com os palestinianos nesta segunda-feira, acusando-os de má fé na pacificação.
Revidando, os palestinianos disseram que Israel estava em falta por cimentar o seu domínio sobre a Cisjordânia ocupada. A troca de acusações ocorreu enquanto as duas partes se preparavam para uma segunda ronda de negociações de baixo escalão, mas potencialmente decisivas, no fim do dia.
Lieberman, um parceiro linha-dura da coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e que costuma ser marginalizado nas questões de Estado, disse a parlamentares em Jerusalém que os palestinianos somente concordaram em retomar os contactos na semana passada depois de serem "arrastados contra a sua vontade" para a capital da Jordânia, Amã.
A reunião na Jordânia foi a primeira desde que as negociações directas foram paralisadas em 2010, quando o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, exigiu a suspensão da construção de assentamentos israelitas antes que as negociações seguissem adiante. Israel havia imposto anteriormente um congelamento parcial nas construções.
"Eles estão a preparar uma base de desculpas para transferir a responsabilidade pelo fracasso das negociações para Israel", disse Lieberman, segundo uma transcrição oficial do encontro parlamentar.
A reunião sediada na Jordânia incluiu o chamado Quarteto de negociantes da paz - os Estados Unidos, a União Europeia, Rússia e Nações Unidas - que em 26 de Outubro deu aos dois lados três meses para apresentar propostas sobre território e segurança.
Os palestinianos vêem um obstáculo insuperável na expansão israelita de assentamentos judeus na Cisjordânia.
Eles querem erguer o seu próprio Estado na Cisjordânia, no leste de Jerusalém e na Faixa de Gaza - territórios que Israel capturou na guerra de 1967.
A maioria dos países considera os assentamentos ilegais. Israel rebate isso, e diz que irá manter alguns blocos de assentamentos sob qualquer acordo de paz, segundo entendimentos bilaterais alcançados em 2004 com o então presidente norte-americano George W. Bush.
"Todos os lados no Quarteto e os nossos irmãos na Jordânia vêem uma seriedade total do lado palestiniano, e uma tentativa israelita de transformar essas negociações em perda de tempo, com uma campanha intensificada de construção de assentamentos", disse Yasser Abed Rabbo, conselheiro-sénior de Abbas.
Em Amã, uma fonte diplomática regional descreveu a segunda ronda de negociações, feita a portas fechadas, como uma chance de avaliar perspectivas a longo prazo.
"Essa ronda é ainda mais importante" do que a introdutória, disse a fonte. "Temos que ver o resultado, e o que vem agora".
Lieberman disse que os palestinianos, que no ano passado desafiaram Israel e a censura de Washington se candidatando à adesão plena na ONU, pretendiam retomar essa campanha de "internacionalização" depois de 26 de Janeiro, a data estabelecida pelo Quarteto.
Um porta-voz de Netanyahu não quis comentar as declarações de Lieberman.