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09-01-2012 16:31

Reino Unido
Governo estuda referendo sobre independência da Escôcia

   
Londres - O governo britânico discutiu nesta segunda-feira uma proposta para oferecer à Escócia um referendo sobre a independência antes do que imaginavam os nacionalistas, uma aposta arriscada com a qual espera obter a vitória do "Não", mas que também pode
se voltar contra Londres.


              
Segundo a imprensa britânica, o primeiro-ministro David Cameron estuda apresentar ao presidente do governo semi autónomo escocês, o nacionalista Alex Salmond, a proposta de uma consulta, prometida pelo escocês após a vitória eleitoral em 2011, desde que aconteça num prazo de 18 meses, limite a pergunta a "Sim" ou "Não" à auto-determinação e que o resultado seja vinculante.


              
Um porta-voz de Downing Street confirmou que o ministro das Finanças, George Osborne, apresentaria nesta segunda-feira a proposta do governo no conselho de ministros, mas se negou a comentar os detalhes de um projecto que deve ser apresentado nos próximos dias ao Parlamento.


              
Cameron, que afirma estar disposto a defender "com unhas e dentes" a integridade do Reino Unido, anunciou no fim de semana a determinação de resolver de maneira rápida a questão da independência, motivado pelo impacto negativo que, segundo ele, a incerteza provoca sobre a economia escocesa e os escoceses.

 

"Isto é muito prejudicial para a Escócia porque algumas empresas começam a questionar se a Escócia vai ser parte do Reino Unido, se vão continuar unidos e se devem investir", explicou Cameron ao canal Sky News.


              
"Temos que avançar e dizer: vamos solucionar este assunto de maneira justa e decisiva", completou em outra entrevista, ao canal BBC.


              
O Partido Nacional Escocês (SNP), liderado por Salmond, acusou o primeiro-ministro de tentar interferir num assunto que não lhe diz respeito, ao tentar impor as modalidades da consulta.


              
"Esta é uma tentativa descarada de interferir numa decisão que cabe ao governo escocês, em termos de calendário do referendo, e ao povo escocês, em termos de resultados do referendo", declarou a vice-presidente do SNP, Nicola Sturgeon, à BBC.


              
O SNP conseguiu pela primeira vez em Maio a maioria absoluta no Parlamento semi-autónomo escocês e o seu carismático líder reiterou a promessa de organizar um referendo sobre a independência desta região britânica.


              
Salmond, que já havia governado antes em minoria, planeava um referendo para a segunda metade da nova legislatura de cinco anos, de preferência em 2014, para ter tempo de convencer os quase cinco milhões de compatriotas.


              
Uma pesquisa de Dezembro do instituto Ipsos MORI para os jornais The Times y The Sun mostrou o apoio de 38 por cento dos escoceses à independência, três pontos a mais que o registado em Agosto.


              
Além do "Sim" e "Não" à independência, o projecto de Salmond contemplava também uma terceira opção: mais autonomia dentro do Reino Unido.


              
"Acredito que Alex Salmond sabe que os escoceses no fundo não querem uma separação total do Reino Unido e está a tentar criar uma situação para que se propague e aconteça", afirmou Cameron à BBC.


              
"Precisamos de uma acção decisiva para poder esclarecer o tema".


              
Os nacionalistas escoceses, no entanto, esperam poder capitalizar localmente esta nova determinação governamental.


              
"Suspeito que quanto mais um governo conservador tentar interferir na democracia escocesa, maior será o respaldo à independência", advertiu Nicola Sturgeon.
   






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