Peru - O presidente Alan García anunciou nesta segunda-feira que o Peru processará o município sueco de Gotemburgo pelo crime de apropriação ilícita de 100 tecidos da cultura Paracas, de mais de 2.000 anos, que estão num museu na Suécia.
Falando durante uma cerimónia na chancelaria peruana, disse que o seu governo vai entrar com uma acção penal contra o município de Gutemburgo, na Suécia, porque é cúmplice do roubo de mais de 100 tecidos da cultura Paracas.
Uma centena de tecidos está no museu da Cultura de Gotemburgo, que deve devolvê-los imediatamente, segundo o presidente peruano que não informou a data do suposto roubo do patrimônio cultural.
"Surpreende que o município e o museu da Cultura, que pertence ao município, apropriem-se indevidamente de 100 mantos que foram roubados do Peru, e se isso se confirmar, são cúmplices de um roubo", declarou Alan García.
O governante defendeu a postura e afirmou que "temos direito a denunciá-los penalmente e no nível internacional, para que a Interpol capture aqueles que são cúmplices da depredação de uma civilização".
Segundo o site do museu da Cultura Mundial de Gotemburgo, este "administra uma colecção de tecidos chamada 'A colecção Paracas', que foram encontrados no começo da década de 1900 no Peru".
A cidade de Gotemburgo detém formalmente a propriedade de 89 destes objectos, todos eles têxteis, que são exibidos desde 2008 e se encontram sob sua custódia, de acordo com o site das autoridades suecas.
Os tecidos Paracas são considerados um dos mais belos do mundo, por sua variedade cromática incomparáveis.
A cultura Paracas desenvolveu-se na costa sul do Peru entre 100 a.C. e 200 d.C., mas foi descoberta nos anos 1920.
Em maio de 2010, a Suécia devolveu ao Peru 33 fragmentos de têxteis de culturas peruanas da costa central e sul pré-colombiana, Paracas entre eles.
O Peru é o país da América Latina mais afectado pelo tráfico e roubo de bens patrimoniais, seguido por Bolívia e México, segundo o escritório local da Interpol.