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26-05-2011 19:55

Sérvia
Presidente anuncia prisão de Ratko Mladic

   
Belgrado - O presidente sérvio, Boris Tadic, anunciou nesta quinta-feira a prisão de Ratko Mladic, o homem mais procurado da Europa, que actuou como chefe do Exército da Sérvia durante a guerra da Bósnia.

 

 "Detivemos Ratko Mladic hoje (quinta-feira) de manhã. O processo de extradição está em curso", afirmou Tadic, aludindo à transferência do ex-comandante para ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia.

 

O procurador do TPI para a ex-Jugoslávia, Serge Brammertz, citado pela AFP, declarou nesta quinta-feira que a Sérvia "cumpriu uma de suas obrigações internacionais" com a captura de Mladic.

 

 "Ao prender Mladic, a Sérvia cumpriu uma de suas obrigações internacionais, que era a prisão de fugitivos", declarou Brammertz por telefone da Croácia.

 

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, saudou nesta quinta-feira a detenção do ex-chefe dos sérvios da Bósnia, e pediu que ele seja levado imediatamente ao TPI.

 

Ashton "espera que Ratko Mladic seja transferido imediatamente para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia", declarou seu porta-voz, Michael Mann, em seu perfil no Twitter.


A prisão de Ratko Mladic é "um passo importante para a Sérvia e para a justiça internacional", acrescentou, parabenizando o governo sérvio por "esta decisão corajosa".

 

O comissário encarregado da ampliação da União Europeia, Stefan Fule, também celebrou "um gesto histórico por parte da Sérvia, que mostra que este país compreendeu a importância crucial da reconciliação regional", que "faz parte dos critérios políticos para o processo de adesão à UE", indicou.

 

Bruxelas considera que a cooperação de Belgrado com o TPI é uma das principais condições para que a Sérvia se aproxime da União Europeia (UE).

 

Londres também reagiu captura, considerando que ela representa o fechamento de um "capítulo muito triste da história" da Sérvia, de acordo com o ministro britânico da Defesa, Liam Fox.

 

Já o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, saudou um "momento histórico para uma região dividida pela horrível guerra dos anos 90".

 

Em Deauville (França), onde participa da cúpula do G8, o primeiro-ministro britânico David Cameron fez um rápido comentário sobre a notícia: "Ele é acusado dos crimes de guerra mais horríveis, não só em Srebrenica, como também em Sarajevo".

 

 O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou por sua vez que a detenção do homem mais procurado da Europa é "um dia histórico" para a justiça internacional.

 

"É um dia histórico para a justiça internacional, um passo à frente em nossa vontade de acabar com a impunidade", declarou Ban Ki-moon em Paris, onde participa de um encontro na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

 

Para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Sérvia deu um "passo a mais para sua integração à União Europeia".

 

 "É uma decisão muito corajosa do presidente sérvio e é uma etapa a mais para a integração, em um futuro próximo, da Sérvia à União Europeia", disse Sarkozy a jornalistas em Deauville, pouco depois de almoçar com seus parceiros do G8 reunidos nesta cidade.

"É uma óptima notícia. É uma grande notícia", enfatizou o mandatário francês.

 

Os Estados Unidos se declararam "encantados" nesta quinta com a prisão do general sérvio-bósnio - e, assim como os europeus, esperam que ele seja levado rapidamente para TPI.

 

"Os Estados Unidos estão encantados em ouvir o anúncio do governo sérvio de que capturou Ratko Mladic", disse aos jornalistas Ben Rhodes, vice-conselheiro de segurança americana, durante a cúpula do G8 em Deauville (noroeste da França).

 

"Esperamos uma transferência rápida para o Tribunal de Haia", acrescentou Rhodes, que felicitou o governo sérvio.

 

O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, procurado há anos pelo TPI para a ex-Jugoslávia por acusações de genocídio ligadas a seu papel na matança de Srebrenica, foi detido na manhã desta quinta-feira na Sérvia.

 

Sua prisão é "resultado de uma cooperação completa entre a Sérvia e o Tribunal de Haia. No dia de hoje, fechamos um capítulo da história de nossa região, que nos levará a uma reconciliação completa", destacou o presidente sérvio.

 

Mladic é acusado de genocídio por seu papel durante o conflito bósnio (1992-1995).

 

 O genocídio, que define crimes cometidos "com a intenção de destruir, totalmente ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso como tal", é o delito mais grave reconhecido pelo Direito Internacional, embora seja um dos mais difíceis de serem comprovados.

 

O TPI para a ex-Jugoslávia divulgou em 1995 a ata de acusação, em particular por genocídio no massacre de Srebrenica, contra o general sérvio-bósnio Ratko Mladic.

 

O massacre de cerca de 8.000 adolescentes e homens muçulmanos em Srebrenica (Bósnia) em Julho de 1995 é o único episódio das guerras na ex-Jugoslávia classificado como "genocídio" pelo TPI.

 

O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), máxima instância judicial das Nações Unidas, confirmou no final de Fevereiro de 2008 que este massacre foi um genocídio.






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