Lisboa - O pedido de ajuda externa gerou sexta-feira um dos momentos mais acesos do debate entre os líderes do PS e do PSD, que se acusaram mutuamente de pôr a ambição pelo poder à frente do interesse nacional.
No frente-a-frente entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho, na RTP1, o secretário-geral do PS foi o primeiro a colocar o tema do resgate financeiro a Portugal, culpando o presidente do PSD de ter levado à subida dos juros da dívida portuguesa com o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).
"Enganou-se nas prioridades. Pensou em si, no seu partido, e não nos interesses do país", declarou.
Na resposta, Passos Coelho contrapôs que "há muito tempo que Portugal deveria ter pedido ajuda".
"O senhor não pediu ajuda mais cedo, não porque estivesse preocupado com o país, mas porque estava preocupado com a sua imagem política. É o senhor que está agarrado ao lugar de primeiro-ministro, não sou eu que estou com pressa de lá chegar", acusou.
Esta perspectiva foi totalmente recusada por Sócrates: "O país não precisava de ajuda externa, não, e a ajuda externa é prejudicial para o nosso país, e o dever de um Governo responsável é lutar até ao fim para não ter essa ajuda externa".
"Quem provocou a ajuda externa foi o senhor ao abrir uma crise política. Nós tínhamos uma solução e deitámo-la fora, pela sua acção, senhor doutor. Na única decisão importante que o senhor teve de tomar na sua vida política enquanto líder do PSD, o senhor tomou a decisão de abrir uma crise política e obrigar o país a pedir ajuda externa", reforçou o primeiro-ministro.
Outro tema em que Sócrates e Passos Coelho divergiram foi a descida da Taxa Social Única (TSU) prevista no programa de ajuda externa a Portugal.
Questionado sobre quanto pretende descer a TSU, Sócrates disse que "o que o Governo se comprometeu foi a estudar, e depois a propor", reiterando que "isso deve ser muito moderado" para evitar aumentar impostos.
Depois, o secretário-geral do PS considerou que "é uma ideia da economia do passado" pretender aumentar a competitividade "pela redução dos custos de trabalho".
Passos Coelho sublinhou que Sócrates "assinou" uma descida da TSU como um "objectivo crítico" e adiantou que o PSD gostaria que esta fosse reduzida "logo em quatro pontos no Orçamento do Estado para o próximo ano", se houver margem.