Pequim - O ex-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique
Strauss-Kahn, voltou nesta segunda-feira à vida pública ao participar num fórum económico em Pequim, onde comparou a Zona Euro a um barco prestes a afundar.
Depois de mais de sete meses de escândalos pessoais, que o obrigaram a abandonar a sua carreira política, Strauss-Kahn escolheu uma conferência sobre economia realizada na capital chinesa para recuperar o seu estatuto de especialista em macro-economia.
"Vemos os países europeus passar de um plano (de resgate) a outro, de uma cúpula vista como a última oportunidade a outra, sem admitir as perdas, sem permitir uma reactivação do crescimento e fracassou em recuperar a confiança", afirmou Strauss-Kahn.
Strauss-Kahn, que foi convidado pelo grupo NetEase, um dos gigantes da internet na China, fez um discurso em inglês de 45 minutos em que se mostrou muito crítico quanto às medidas de resgate adoptadas em Bruxelas.
"Com o último temporal, parece que o barco já não é tão resistente", comentou a responder a uma pergunta sobre a situação da Eurozona.
"O facto de que o euro continue em meio ao rio e que a união orçamentária não está consolidada o torna muito vulnerável e o barco parece a ponto de afundar", acrescentou.
"Não creio que o presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel entendam bem e este é provavelmente um dos motivos que o sistema europeu tenha problemas para avançar", assegurou.
Por outro lado, afirmou que o governo chinês actuou "particularmente bem durante a crise de 2008-2009".