Lima - O ex-presidente peruano Alejandro Toledo anunciou neste domingo que o seu partido Peru Possível retirou-se do governo de Ollanta Humala, após ressaltar o risco de uma militarização com a escolha de Óscar Valdés como primeiro-ministro.
"Tomamos a decisão de que o nosso partido não participará de posto algum no Executivo. No entanto, continuaremos a apoiar (o governo) no Congresso", disse o ex-mandatário (2001-2006) ao finalizar uma reunião da direcção do seu partido.
O partido de Toledo ocupava o Ministério da Defesa e a pasta do Trabalho no gabinete de 17 ministros dirigido por mais de 130 dias por Salomón Lerner, que renunciou no sábado.
"Não somos partidários de militarizar o governo de Humala, que foi democraticamente eleito", disse Toledo sobre a escolha do titular do Interior, o ex-militar Óscar Valdés, como novo primeiro-ministro.
"Nos pediram para continuarmos a fazer parte do executivo, mas dissemos 'não, obrigado'. Tomamos a decisão de nos distanciar do governo", disse Toledo, que perdeu as eleições presidenciais deste ano.
O primeiro-ministro tomará posse na noite deste domingo ante o presidente Humala junto com os integrantes do gabinete ministerial, que deverá ter algumas caras novas.
A opção de Humala de eleger como primeiro-ministro o seu ministro do Interior teria como objectivo reforçar o lado pragmático que quer imprimir a sua gestão, distante da imagem esquerdista que exibiu durante a campanha eleitoral de 2011.
A renúncia de Lerner, braço direito de Humala desde 2006, ocorre como parte de uma prática comum no Peru, em que todo o gabinete pode renunciar no mês de Dezembro de cada ano para deixar o presidente livre para eventuais reformas no governo.