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28-11-2011 18:48

Portugal
Lisboa celebra a inscrição do fado no património da humanidade

              
Lisboa - A inscrição do fado no património cultural imaterial da Unesco foi recebida com gritos de alegria no bairro Alfama de Lisboa, berço desse canto que se tornou símbolo de todo um povo.


              
"Viva o fado! Foi uma escolha importante para nós", exclamou Maria Argentina, uma cantora que reside no local, onde se vive ao ritmo dessa espécie de "blues português", caracterizado pela expressão de sentimentos de tristeza e nostalgia.


              
A pouca distância fica o Museu do Fado que, excepcionalmente, permaneceu aberto na noite de sábado, à espera da decisão da
Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco).


              
"Vim assim que soube da decisão", disse Gracinda, uma sexagenária, que pôde assistir a um show improvisado por alguns músicos, no vestíbulo do museu.


              
Desde sábado, os portugueses estavam ligados aos meios de comunicação, que regularmente davam informações sobre a reunião do comité da Unesco em Bali, Indonésia. Assim que se soube da decisão favorável, começaram a chegar as reacções oficiais.


              
"Este reconhecimento é uma fonte de orgulho para todos os portugueses", escreveu o presidente da República, Anibal Cavaco Silva, em mensagem publicada no site da presidência, no qual homenageou os "cantores do fado, os poetas, os músicos, os compositores que contribuíram para torná-lo melodia universal".


              
"Graças à decisão, muitas pessoas mais vão conhecer o fado e sua riqueza", congratulou-se, por sua vez, o cantor Camane, também conhecido como "o príncipe do fado".


              
O reconhecimento permitirá dar continuidade à protecção desse património artístico, através de uma rede de arquivos, bem como a
de todos os lugares e objectos vinculados à perpetuação dessa arte, explicou à AFP Sara Pereira, directora do Museu do Fado.


              
Essa forma de expressão popular surgiu no século XIX nos bairros de Lisboa banhados pelo Tejo, o ponto de partida dos marinheiros
portugueses rumo à conquista de um imenso império colonial que se estendia da América do Sul a África, passando pela Ásia.


              
Esse lamento musical que fala da ausência, das rupturas ou da nostalgia, nasceu da melancolia que reinava nos portos da capital
nessa época.


              
No século XX, esse canto se impós como símbolo da cultura portuguesa. Foi divulgado pela diva Amalia Rodrigues, falecida em 1999, que levou o género musical a todo o mundo. Actualmente, o fado goza de grande vitalidade, graças a uma geração de artistas que renovou o estilo.


              
Desde Mariza a Cristina Branco, passando por Carminho e Ana Moura, o canto da "saudade" é ouvido em todos os recantos, sinal
de sua universalidade.


              
Na sexta-feira passada, a Unesco havia divulgado uma relação de manifestações típicas que devem ser "urgentemente protegidas",
incluindo um ritual de um povo indígena brasileiro, voltado para "manter a ordem social e cósmica". O yaokwa é a principal cerimónia do calendário ritual dos enawenê-nawê, povo indígena que vive no noroeste de Mato Grosso.


              
Também foram inseridas na lista de património imaterial da Unesco, um ritual agrícola de replantio de arroz realizado em Hiroshima, no Japão; o saber dos xamãs de Yuruparí, na Amazónia colombiana; uma procissão de cavaleiros realizada na República Checa; a peregrinação a um santuário inca do Peru; e um típico teatro de sombras chinês.


              
No caso do Brasil, 18 bens nacionais estão inscritos na lista do Património Mundial da Unesco.


              
Estão presentes tradições orais, de cultura e de arte populares, línguas indígenas e manifestações tradicionais, como as Expressões Orais e Gráficas dos Wajãpis, do Amapá, e o Samba de Roda do Recôncavo Baiano.
           






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