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24-11-2011 19:36

Noruega
Governo e partido de direita trocam ofensas

Copenhaga, Dinamarca- Nas últimas 24 horas, a Noruega viveu uma tempestade política com a troca de acusações
entre o Governo de esquerda e a direita populista, tendo como cenário as leis de imigração e asilo e os atentados de 22 de julho.

 

Após o massacre realizado pelo ultradireitista Anders Behring Breivik, que assassinou 77 pessoas em um duplo massacre,
Governo e oposição tinham tentado não misturar a tragédia no debate, mas esse clima de concordância parece ter sido danificado.

 

A disputa começou quarta-feira e se prolongou por mais um dia no debate dos orçamentos. Os protagonistas são as duas principais
forças políticas, o Partido Trabalhista do primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, e o Partido do Progresso, representante da direita
populista.

 

Declarações recentes de trabalhistas, culpando o outro partido de incitar um debate "odioso" sobre a imigração, que seria a base do
populismo usado por Breivik, fez com que a líder progressista Siv Jensen interpretasse como uma responsabilização indirecta pelos
atentados.

 

O ministro de Relações Exteriores, Jonas Gahr Store, rejeitou esta ideia extrema, e lembrou que quem usa expressões duras deve
também admitir que sejam devolvidas.

 

Então, o vice-presidente do Partido do Progresso (FrP), Per  Sandberg, acusou os trabalhistas de utilizar o papel de "vítimas"
após os atentados, afirmação que fez vários deputados abandonarem a sala, alguns entre lágrimas.

 

Breivik detonou um carro-bomba no complexo governamental de Oslo, onde morreram oito pessoas, e imediatamente depois se
dirigiu à ilha de Utoeya, onde disparou de forma indiscriminada matando outras 69, a grande maioria participava do acampamento
das Juventudes Trabalhistas (AUF).

 

"Muitas pessoas foram assassinadas e ficaram feridas em gravidade. E o alvo era precisamente o Partido Trabalhista e sua
organização juvenil AUF", disse Stoltenberg em comunicado.

 

O FrP e o próprio Sandberg apresentaram suas desculpas verbais e por escrito, que nesta quinta-feira voltaram a ser reiteradas no
debate dos orçamentos por Siv Jensen.

 

Entretanto, o líder populista dedicou mais tempo de seu discurso a rejeitar qualquer conexão de seu partido com os atentados, atacar
os trabalhistas e defender seu direito a criticar a política de imigração e de asilo do Governo.

 

Os trabalhistas aceitaram as desculpas, mas voltaram a afirmar que nunca responsabilizaram o FrP pelos atentados.

 

Os socialistas, um dos dois parceiros menores na coligação de Governo, duvidaram da sinceridade das desculpas, enquanto
vários observadores políticos disseram que acabou o acordo implícito de manter um tom conciliador no debate sobre os
atentados.

 

Breivik, de 32 anos, militou nas juventudes do FrP entre 1999 e 2003, mas depois abandonou para actuar sozinho, apesar de ter
mantido contacto com grupos de extrema-direita no exterior.

 

O ultradireitista justificou que o massacre servia para castigar a social-democracia por "trair" o país "importando" muçulmanos e
salvar a Europa ocidental do islão e do "marxismo cultural".






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