Cairo, Egipto - O presidente Mahmud Abbas e o chefe do Hamas, Khaled Mechaal, anunciaram, nesta quinta-feira, uma "parceria" durante a reunião no Cairo para concluir a reconciliação palestiniana, paralisada há seis meses.
"Não existe mais diferenças entre a gente. Nós concordamos em trabalhar como parceiros com uma responsabilidade única", declarou Abbas aos jornalistas.
"Queremos assegurar ao nosso povo e a todo o mundo árabe e muçulmano que nós viramos uma nova página importante de parceria sobre tudo o que diz respeito à nação palestiniana", afirmou Mechaal.
Os dois líderes reuniram-se às 11h00 locais, para uma reunião particular de aproximadamente duas horas, que depois foi aberta ao partido Fatah de Abbas e ao movimento islamita Hamas, segundo a AFP.
Azzam Al Ahmad, responsável pela questão da reconciliação no Fatah e Mussa Abu Marzuk, número dois do Hamas, informaram sobre "um acordo global" entre os dois movimentos.
"O presidente e Mechaal examinaram os termos do acordo de reconciliação e o modo de como aplicá-lo antes da próxima reunião entre as delegações dos dois movimentos para acertar os detalhes", disse Azzam al-Ahmad.
"Em seguida, todos os movimentos que assinaram o acordo de reconciliação em Maio serão convidados para discutir os toques finais, começar a aplicar o acordo e para a realização de eleições presidenciais, legislativas e no Conselho Nacional", acrescentou.
A reunião também abordou "a questão da trégua na Cisjordânia e na Faixa de Gaza com Israel e a questão da resistência popular, a sua organização e gestão", ressaltou o chefe do Fatah, enquanto há informações de que o Hamas concordou em passar da luta armada para uma "resistência pacífica".
Uma fonte palestiniana independente, que se reuniu com os líderes do Hamas, afirmou recentemente à AFP que o grupo está preparado para uma "resistência popular pacífica."
Esta é a primeira reunião entre os dois homens desde a assinatura em Maio de um surpreendente acordo concluído no dia 27 de Abril entre o Fatah e o Hamas, que controlam respectivamente as regiões autónomas da Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
O acordo previa a formação de um governo de independentes encarregados de organizar as eleições até Maio de 2012.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, cujo país é declaradamente hostil à unidade palestiniana com o Hamas, considerado por ele uma "organização terrorista", criticou novamente o acordo e pediu que Abbas suspenda o processo de reconciliação com o Hamas.
Um dos principais pontos de desacordo é a escolha do chefe de governo. Abbas deseja que o seu primeiro-ministro, Salam Fayyad, ocupe o cargo, enquanto o Hamas rejeita esta nomeação.
Esta questão será discutida posteriormente durante as próximas reuniões no Cairo entre os dois movimentos, afirmou Ahmad.
A reunião deverá abordar também a questão da consolidação e unificação dos serviços de segurança palestinianos e a Organização da Libertação Palestina (OLP), que o Hamas não faz parte.