Leipzig - O partido da chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesta terça-feira que a líder combata extremistas de direita, após a descoberta de que um grupo de neonazistas vinha assassinando imigrantes havia anos.
Merkel descreveu como desgraça nacional a existência da organização, chamada "Subterrâneo Nacional-Socialista", cujos membros são agora suspeitos de matar ao menos nove imigrantes, oito turcos e um grego, além de uma policial mulher, entre 2000 e 2007.
O grupo só veio à tona por acaso, gerando temor de que a ameaça da extrema-direita tenha sido subestimada. A polícia está reabrindo todos os casos não resolvidos desde 1998 com possíveis motivos racistas.
O caso está no topo do noticiário nacional desde o fim de semana e políticos de todos os partidos expressaram espanto, que também produziu pedidos de um novo esforço para banir o Partido Nacional Democrata (NPD), de extrema-direita.
"Você não pode evitar ter a horrível impressão de que o perigo da violência extremista de direita pode não ter sido levada suficientemente a sério", disse Thomas Oppermann, do oposicionista Partido Social-Democrata (SPD), ao jornal Sueddeutsche Zeitung.
O passado nazista da Alemanha torna a militância de direita um assunto particularmente sensível, mas especialistas alertam há muito para o extremismo entre os jovens desiludidos das regiões do leste do país, onde o desemprego é alto.
Pelo menos três milhões de pessoas de origem turca vivem na Alemanha, entre os 82 milhões de habitantes do país. Muitos vieram para suprir o déficit de trabalhadores do lado ocidental após a Segunda Guerra Mundial, ajudando a produzir o "milagre económico" da época.
A conservadora União Democrata-Cristã (CDU), de Merkel, prometeu por unanimidade durante congresso em Leipzig, nesta terça-feira, insistir em medidas duras contra o que o partido chamou de "uma ameaça séria e brutal à nossa vida democrática".
A CDU pediu que o governo "intensifique a luta contra o extremismo de direita" e "descubra se os acontecimentos recentes dão justificativa para a proibição do NPD."
O líder conservador no Parlamento, Volker Kauder, disse ser a favor de explorar se seria possível "arrancar pela raiz essa erva marrom" -- referindo-se às camisas marrons usadas pelas tropas de Adolf Hitler --, banindo o NPD.
Com assentos em duas assembleias regionais, o NPD recebeu 1,06 milhão de euros em contribuições no ano passado.