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03-11-2011 18:58

França
G20 reúne-se sob ameaça da crise grega

Cannes, França - A crise da dívida na Europa, que se propaga da Grécia para a Itália e ameaça afundar a economia mundial numa nova recessão, tem sido o foco das discussões das potências do G20 nesta quinta-feira em Cannes.

 

A crise da Grécia domina as discussões entre os países que participam desta reunião iniciada na tarde de hoje e que será concluída na sexta-feira.

 

Para o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, é preciso evitar "uma reacção em cadeia" causada pelos problemas orçamentários de alguns países, que provocaria "um enorme impacto" sobre a economia real europeia e dos países emergentes.

 

Noda recomendou evitar o "colapso do sector financeiro" e a injecção de dinheiro nos bancos.

 

O presidente americano, Barack Obama, considerou que "a tarefa mais importante para os próximos dois dias é resolver a crise financeira da Europa".

 

O bloco do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) também pressiona a Eurozona para a resolução desta crise, que se aprofundou após a decisão do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de convocar um referendo sobre o pacote de ajuda elaborado e aprovado em Bruxelas na semana passada.

 

"A Europa deve resolver o problema da dívida europeia", disse o presidente chinês, Hu Jintao.

 

O dia esteve cheio de rumores sobre a situação política grega. Um informe indicou nesta tarde que Papandreou está disposto a abandonar o referendo.

 

O líder grego submeterá na sexta-feira a um voto de confiança do Parlamento, onde o destino do governo está por um fio devido as discrepâncias entre os socialistas (no poder).

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a directora do FMI, Christiane Lagarde e os demais representantes europeus anunciaram na quarta-feira à noite que novos fundos para a Grécia só serão desbloqueados após uma resposta clara do país às incertezas actuais.

 

No momento, os 8 biliões de euros da última parcela do empréstimo de 110 biliões concedido em Maio do ano passado para Atenas estão bloqueados.

 

"Esperamos manter a Europa com os nossos amigos gregos", mas ele "deve decidir se continua nesta aventura connosco ou não", disse Sarkozy para Papandreou.


"Existem regras que precisam ser respeitadas" para que o FMI e a Europa continuem com a ajuda à Grécia, acrescentou.

 

O presidente russo, Dimitri Medvedev, afirmou que o mundo inteiro espera "boas notícias da Grécia e não notícias exóticas ou populistas", em alusão as iniciativas de Atenas.

 

Os mercados aumentaram o cerco à Itália, cujos títulos de dez anos alcançaram nesta quinta-feira um nível recorde de 6,399 por cento, sinal da desconfiança que persiste entre os investidores. O país possui uma dívida de 1,9 trilião de euros, o equivalente a 120 por cento do seu PIB.

 

O chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, apresentou aos seus parceiros europeus as medidas anticrise adoptadas na véspera e que serão levadas ao Senado na próxima semana, segundo uma fonte governamental.

 

Em meio a tanta confusão, os mercados europeus reverteram os seus números negativos durante a abertura impulsionados pelo Banco Central Europeu (BCE), que cortou a sua taxa básica de juros num quarto de ponto, para 1,25 por cento.

 

A China poderá destinar 100 biliões de dólares para ajudar a Eurozona, afirmou um membro do comité de política monetária do banco central chinês ao jornal francês Le Figaro nesta quinta-feira.

 

O Brasil reiterou a sua disposição em dar a sua contribuição financeira através do FMI para ajudar a Europa e não descarta um apoio via FEEF, disseram fontes diplomáticas brasileiras.

 

Enquanto a crise europeia é o centro da agenda do G20, as prioridades da presidência temporária francesa são: fortalecer e estabilizar o sistema monetário internacional, impor um imposto sobre transacções financeiras, eliminar os paraísos fiscais e dar uma dimensão social a globalização, especialmente com a regulamentações dos mercados de commodities e os vários aspectos relacionados ao emprego e a protecção social.

 

A presidente argentina, Cristina Kirchner, cujo país declarou o seu déficit há dez anos, pediu que os seus parceiros do G20 acabem com o "anarco-capitalismo financeiro" e "mudem de tratamento" para regular os mercados e tirar a economia mundial da crise.

 






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