Michigan - O presidente americano, Barack Obama, declarou quinta-feira, em discurso em Michigan (norte dos EUA), que o mundo assiste ao desenrolar da história e a um momento de transformação no Egipto, enquanto circulavam informações de que o presidente Hosni Mubarak poderia estar pronto para renunciar.
Obama também se dirigiu directamente aos jovens do Egipto, que têm engordado as maciças manifestações no Cairo, afirmando que a América fará tudo o que puder para assegurar uma transição genuína para a democracia em um momento aparentemente central da crise naquele país.
"O que está absolutamente claro é que estamos testemunhando o desenrolar da História. Este é um momento de transformação que está acontecendo porque o povo do Egipto está pedindo mudanças", disse Obama.
O presidente americano também deu seu endosso directo aos manifestantes e a uma "nova geração" que tem participado dos protestos pedindo a saída de Mubarak, em pleno centro da capital egípcia, na Praça Tahrir.
"Prosseguindo, nós queremos que aqueles jovens e que todos os egípcios saibam que a América continuará a fazer tudo o que puder para apoiar uma transição ordeira e genuína no Egipto", declarou.
Mas em seu discurso, Obama não mencionou Hosni Mubarak, o presidente egípcio que tem sido um aliado leal dos Estados Unidos por 30 anos, mas que tem visto seu regime oscilar à beira do colapso como resultado dos protestos que representaram uma saia justa diplomática para Obama.
A retórica exibida por Obama quinta-feira, que tem sido criticado por não ser mais explícito no apoio aos manifestantes ao tentar resguardar os interesses geopolíticos do seu país, foi uma reminiscência daqueles entusiasmados discursos da campanha presidencial de 2008.
Ao contrário, os Estados Unidos lutaram para acompanhar o rápido desenrolar dos acontecimentos. Obama monitorou o noticiário e as cenas de júbilo e confusão que têm dominado a capital egípcia da televisão a bordo de seu avião, o Air Force One, enquanto voava de Washington para Michigan, e tem sido regularmente actualizado por seu serviço de segurança interior.
Enquanto isso, o chefe da CIA, Leon Panetta, provocou agitação ao parecer dar crédito a informes e rumores segundo os quais Mubarak, cujo discurso à nação era aguardado para esta noite, provavelmente deixaria o poder.
Mas depois um porta-voz prontamente esclareceu que Panetta se referia a uma audiência no Congresso sobre informações noticiadas pela imprensa e não alguma informação secreta ou privilegiada, obtida pelo serviço secreto americano.
A bordo do Air Force One, o porta-voz de Obama, Robert Gibbs, não explicou quando ou se o presidente havia recebido informações de que Mubarak estaria prestes a deixar o poder, após dias de intensos protestos nas ruas do Egipto.
"Estamos assistindo a uma situação muito fluida. O presidente está vendo a mesma coisa que vocês", disse Gibbs aos jornalistas, acrescentando que não quer prejulgar os eventos.
Outras autoridades se negaram a fazer comentários sobre informações divulgadas por emissoras de TV americanas e estrangeiras segundo as quais o presidente egípcio poderia estar preparando o anúncio de sua saída.
Mas eles reforçaram que Washington tem pressionado por uma transição "ordeira" do poder por Mubarak em um processo que possa levar a eleições livres, inclusivas e justas.