Paris - A possibilidade de uma renúncia da chefe da diplomacia francesa, Michèle Alliot-Marie, envolvida em uma polémica na França por causa de férias passadas na Tunísia, foi afastada nesta terça-feira pelo presidente Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro.
"Michèle tem o apoio do Presidente da República", garantiu o chefe de governo francês, François Fillon, durante uma reunião com deputados do partido maioritário UMP, que contou com a presença da chefe da diplomacia.
Na Assembleia Nacional, em resposta a um deputado de oposição de esquerda, Bruno Le Roux, que pedia sua demissão, Michèle Alliot-Marie disse que após ter "respondido com franqueza e honestidade a todos", ela "não mais falaria sobre o assunto".
"Chega de polémica!", lançou. "As mentiras e as insinuações maliciosas não são dignas do debate político francês". "Sou honesta e preocupada com a ética, toda minha vida política é prova disto", acrescentou, admitindo ter passado férias na Tunísia no final do ano de 2010, e ter acompanhando um amigo em seu avião.
A ministra reconheceu que o facto "constituiu a posterior um constrangimento, em vista dos acontecimentos que se desenrolaram depois".
A viagem de férias ocorreu no dia 17 de dezembro, dez dias antes do início de uma revolta popular no país. Como resultado da rebelião, o então presidente Zine El-Abidine Ben Ali fugiu para o exterior no dia 14 de janeiro.
Michèle Alliot-Marie, que conta com o voto de confiança do primeiro-ministro e do presidente, não deve encontrar dificuldades para seguir com sua missão à frente da diplomacia francesa, disse mais cedo ao canal de televisão France 2 o porta-voz do governo, François Baroin.
A ministra das Relações Exteriores vem sendo bombardeada há uma semana com pedidos para que se demita, por ter utilizado por duas vezes durante suas férias na Tunísia o avião privado de um amigo tunisiano ligado ao clã Ben Ali.
"Michèle Alliot-Marie se explicou (...), disse honestamente que se voltasse no tempo não teria feito isso, reconheceu seu erro", declarou François Baroin.
O site do jornal polonês Gazeta Wyborcza havia anunciado anteriormente que "Michèle Alliot-Marie não mais dirigia a diplomacia francesa", citando "fontes diplomáticas".